quinta-feira, 21 de março de 2024
quinta-feira, 25 de maio de 2023
CAPACIDADE DE AMAR
Faz onze anos que escrevi esta convicção:
“Na escala de valores do Amor, quem agora crê já ter atingido o topo, mais adiante descobre que ainda nem a meio chegou.”
E que agora reforço, com recurso a outra semântica:
Este tema, o mais badalado, o amor, que se expressa de
tantas formas e se escreve de outras tantas, mas que a mim me parece, na
atualidade, resumir-se ao fato de, simplesmente, ser o sentimento mais desejado
e o menos praticado;
Digo-o, porque o abraçar a vida trouxe-me grandes
descobertas ao longo dos anos, nomeadamente nos últimos três, mostrando-me que
existem demasiadas pessoas a dizerem que são muito amadas quando nem sequer se
deram conta que de amor não se trata e outras tantas a dizerem que muito amam
quando nem sequer têm a capacidade de amar.
Experiência de vida e muita proximidade com a diversidade de
comportamentos humanos, permite-me, sem qualquer base científica, claro está,
acreditar que poderemos subdividir este tema da seguinte forma:
- a total incapacidade de amar, inerente aos transtornos de
personalidade, infelizmente em forte crescendo, inclusive uma característica
cada vez mais apelativa para cargos de liderança (CEO – “Capacidade Emocional
Omissa”);
- a residual capacidade de amar, fruto de mentes
condicionadas por múltiplos receios e traumas, que as bloqueia emocionalmente,
condicionando qualquer iniciativa no sentido da entrega por amor e, ao mesmo
tempo, causando resistência à receção e interpretação de atos de amor;
- a ligeira capacidade de amar, fruto da acelerada vida quotidiana,
onde não existe tempo nem espaço para amar, o que não anula totalmente a
capacidade de o fazerem, empurrando esta enorme massa humana para um modo de
vida parco em afetos priorizando a competitividade por via duma atitude
estritamente racional perante a vida;
- a dificuldade de desenvolver essa capacidade, porque por
mais que se queira amar, à falta de recetores a vida de quem decidiu amar torna-se
um desafio constante, tantas vezes, agonizante e de consequências, por vezes,
traumáticas, numa espécie de sufoco sentimental;
- e a total capacidade para amar, fazendo jus àquilo que acredito ser o nosso único propósito de vida, aquela que não pondera sequer todas as outras limitadas capacidades e incapacidades, simplesmente ama sem olhar a quem, pois são mentes – raríssimas, é certo – que já conseguiram atingir um patamar emocional suficientemente elevado para entenderem o amor como um sentimento que se tem e se dá, sendo que se todas as pessoas derem, todas as pessoas recebem. Simples!
terça-feira, 12 de abril de 2022
Grandeza Humana
sexta-feira, 7 de janeiro de 2022
CRESCI...
já faz algum tempo, uns bons anos!
Foi quando olhei à minha volta e apercebi-me que estava rodeado de poucas pessoas, todas elas com um denominador comum, o bom carácter.
Depois, olhei para longe e reparei que era observado por muitas outras, estas últimas, igualmente, com algo em comum, o mau carácter.
Daí em diante, sempre que olhei à minha volta nada mudou, mas quando olhei para longe, encontrei uma ligeira diferença, é que não só vi as mesmas pessoas de mau carácter, como ainda quem as rodeia.
Nem todas as pessoas têm interesse em crescerem emocionalmente, preferirão para sempre a quantidade. São imensas e aparecem em grandes grupos, geralmente com uma aparente encantadora liderança à frente, mas que, na verdade, não passa de uma criatura manipuladora, com uma baixa autoestima que precisa de público para a tentar erguer.
À semelhança das pedras-preciosas, quem vale a pena ter por perto são as pessoas desagrupadas, raras e dispersas, cujo brilho é natural, não carenciado de holofotes. Em contraponto devem ser mantidas à máxima distância possível as que são fáceis de encontrar como o cascalho que se amontoa em qualquer canto, cuja opacidade não nos permite distinguir umas das outras.
Carências afetivas são o grande mal da humanidade, também o ouvi dizer há muito tempo e aceitei como certo. E são essas mesmas carências que conduzem muitas pessoas incautas até esses amontoados na esperança de suprimirem tais carências, iludidas pela ideia de que uma carência compensa a outra, quando, na verdade, quantas mais carências se juntarem maior é a carência, na medida em que numa multidão em que ninguém tem nada para dar, ninguém recebe.
Viver na solidão não é bom, somos seres gregários, mas como tudo na vida, a sensatez reside na moderação, sendo que ter muitas pessoas por perto ou ninguém, são males feitos da mesma massa, apenas os diferencia a quantidade.
Cresci e
hoje sei ver ao perto e ao longe, mas o olhar que mais nos ensina é aquele que
recebemos, tanto de perto como de longe. Trazem até nós a diferença entre o bem
e o mal e ninguém aprende com o que já conhece, apenas com o que está para
conhecer.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Não Seria Suposto Acontecer
Conforme se sabe, nas últimas décadas
assistimos a um “boom” no número de divórcios/separações, relações findas, das
quais, geralmente, houve frutos, alguns ainda menores, que bem ou mal, lá se
foram adaptando à nova realidade dos pais.
Naturalmente, o comum é, pós-rutura, cada
uma das partes seguir o seu caminho, quer uma delas o faça contrariada ou não,
pois, infelizmente, ainda existe quem, à viva força, teime em ter a seu lado
quem já não quer estar, mas não lhe restará outra opção senão essa, reencontrar-se
num novo registo que já não será ao lado de quem se habituou a estar.
Deste tipo de desfecho, tem sido padrão,
ser atribuído à mulher a morada de família, principalmente quando existem
menores a cargo, mesmo que a guarda partilhada tenha passado a ser o mais comum
nos últimos anos, algo que parece estar a funcionar e quiçá, ter permitido
abrir a caixa de pandora, onde se afere, quem efetivamente é mais capaz de
exercer as suas funções de bom cuidador, logo, grandes surpresas vieram à tona
desde então.
Operacionalidades à parte, revestidas do
seu ideal de pragmatismo, acreditando-se que toda a medida tomada entre as
partes tem em vista o bem-estar comum, passemos às questões de maior
subjetividade, os entendimentos e desentendimentos entre as partes…
Também neste aspeto, comummente, finda a
relação é atribuído ao lado feminino o papel de vítima e ao masculino o de
mau-da-fita de algo que, inquestionavelmente, correu mal, seja num aspeto
específico da vida em comum, ou noutros, é habitual ler-se/ouvir-se a mulher a
queixar-se com muito desagrado daquilo a que esteve sujeita, numa espécie de
grito de libertação, ao passo que o homem, no seu papel menos efusivo nestes
momentos, tende a remeter-se ao silêncio, que pode pressupor um assumir de
culpa.
Desde violência física, psicológica,
verbal, a desinteresse pelos filhos, ou abandono do lar, de entre tantas outras
acusações, assim se escreve, pelo punho da mulher, a história de ambos. Em
contrapartida, pelo silêncio do homem, se conta uma história que ninguém sabe
se real ou fictícia.
Efetivamente, existem assuntos que não
poderão ser abordados sem se generalizar, este é um deles! Por tal, aqui se
explanam tendências que resultam da voz corrente entre partes. No entanto, nada
disso confere a veracidade dos factos. Observe-se, então no seguinte…
O mais natural, perante este cenário, em
que cada uma das partes parece ter o seu papel bem definido, surge a questão:
não seria suposto, nessa nova caminhada a mulher ficar em vantagem perante a
possibilidade de refazer a sua vida afetiva e o homem no papel de indesejado?
Curiosamente, não são poucos os casos em
que se verifica, exatamente o contrário, ou seja, o homem a refazer a sua vida,
com alguém que o ama e enaltece grandemente e que lhe dá mais filhos, numa nova
família, onde se incluem em sã convivência os filhos que já tinha, com quem
nutrem uma excelente relação, tendo o pai como uma referência. Entretanto, por
seu lado, a mulher, que aparentemente “aguentou” um mau homem durante muitos
anos, salta de relação em relação, sem nunca se assertar e não aguenta nem um
mês perto de um bom homem que goste dela. Sendo ainda de referir, que com os
filhos a relação se deteriora com o tempo, preferindo estes, cada vez mais,
ficar com o pai que com a mãe.
Posto isto, longe de um pressuposto
sexista, mas apenas com base em dados concretos e transversais, é de se
levantar a questão, do porquê de tal fenómeno, se é que de um fenómeno
realmente se trata, ou se, na verdade, estaremos perante um rol contagioso de
histórias mal contadas, pois, a ser verdade o que se ouve por aí, não seria
suposto acontecer assim, mas ao contrário.
Aqui poderá caber, perfeitamente, o
conceito de maltrato, que tem muito para dissecar, na medida em que, em muitos
casos, começa cedo demais e de uma forma bem refinada: aquele silêncio
ensurdecedor; aquela chantagem emocional; aquela birra; aquele amuo; aquele
“não sei o quê”, só porque sim; aquela indiferença; aquele murmúrio; etc. Anos
após anos nesta desgastante moinha é das formas de violência mais insuportáveis
que se pode sofrer, que conduz a parte lesada a um acumular de stress que pode
rebentar a qualquer momento... Quem sabe o momento em que passa a ser o
mau-da-fita!
Pedro Ferreira 2021
quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
Sofrer de Verdade
Vivemos tempos em que a verdade é tão
incómoda que parece ter-se tornado no inimigo público número um. Um inimigo a
abater!
Houve tempos em que o grande desígnio do
homem era a busca pela verdade. Neste tempo, é tentar omitir a verdade.
Muitas pessoas consideram que, quem melhor
consegue contornar a verdade, é a pessoa mais inteligente, a mais capaz e
fortemente habilitada para enfrentar os constantes desafios do Mundo, enquanto
a que busca a verdade, exatamente o contrário.
De tal forma assim acontece, que é voz
corrente dizer-se que cada um de nós tem a sua própria verdade, ou seja, outra forma de tentar passar a ideia que a mentira não existe, tudo é relativo,
dependente da forma como se vê e não da forma como realmente as coisas são.
Talvez convenha que assim seja, pois, com
esta semântica, a mentira é dourada. Mas, por mais que a valorizem e a tentem
vestir de verdade, mentira será sempre tudo aquilo que se diz ser, quando não o
é, levando outros ao engano.
Os propósitos da mentira podem ser muito
perversos e causadores de grande estrago na vida de terceiros, mas os ataques à
verdade ainda causam maior estrago, sufocam quem a defende.
É tão agressivo o combate à verdade, que
as apelidadas de "fake news" tornaram-se uma espécie de desafio da
moda, que consiste em aferir quem mente melhor e durante mais tempo. No fundo,
a generosa oferta de uma representação à medida de um público ávido de jogos
perversos.
Dizer a verdade chega a ser considerado
difamatório!
É neste terreno fértil em falsidade que
cresce imparável a grande vaga de seres-humanos desprovidos de valores morais,
apologistas da ganância, experts em manipulação e chantagem, cujos nomes
científicos começam a ser vastos à medida da disparidade dos transtornos de
personalidade que vão denotando. Mas, até neste aspeto, a verdade pode ser
desconsiderada em benefício claro da mentira, por existir quem admire este tipo
de pessoas, devido, essencialmente, ao seu alto rendimento na obtenção
selvática de lucro nas empresas ou, pior ainda, pela sua elevada
capacidade de congregar multidões em torno de perigosas ideologias de cariz
sociopolítico.
No fundo..., todos nós, dos corretos aos incorretos, sabemos bem o que é autêntico e o que é falso. Contudo, como na sociedade atualmente predominam os incorretos, não se pode esperar outra coisa senão este panorama social revestido de falsidade, onde a verdade é abafada, ridicularizada, agredida, sofrendo uma espécie de bullying, ostracizando quem ouse seguir por esse caminho?!
domingo, 10 de janeiro de 2021
VIVEMOS NUM TEMPO EM QUE NÃO SE PODE SER SIMPLESMENTE …, HUMANO!
Multidões se levantam apregoando os direitos humanos, a igualdade e a justiça, de entre outros valores a que todos deveríamos ter direito. Contudo, nas relações interpessoais, uma grande parte das pessoas não admite que o seu interlocutor tenha esse direito, contradizem-se em toda a linha. Quiçá, apanágio do mundo conforme hoje em dia se revela, povoado de pessoas profundamente egoístas, em que cada indivíduo chama a si o exclusivo usufruto de tais direitos, apenas porque pensam correto, mesmo que ajam errado.
Quem não se revê em sistemas políticos ou, tão-somente, em qualquer ideologia partidária, torna-se alvo de um autêntico massacre por parte de quem se revê nos sistemas instituídos, com vista à imposição da sua visão política e ideológica, como se fosse, de entre tantas, a perfeita e inquestionável, muitas vezes com recurso à ofensa fácil, caso os seus intentos não sejam acolhidos. Afinal de contas, seja qual for a opção partidária, os ditadores farão sempre parte do cenário;
Com a religião, desde tempos ancestrais associada à política, passa-se o mesmo, se alguém não professar nenhuma religião ou crença, mesmo que tenha a sua fé, a diferença será sempre alvo de ataque. Autênticas lavagens ao cérebro continuam a ser feitas por parte das pessoas fundamentalistas. Deuses, também os há em todas as religiões, os tais que querem saber mais que o verdadeiro Deus e decidir contrariamente à Sua vontade. Mas este é um fenómeno que não se crê algum dia venha a extinguir-se, bem pelo contrário, acicatam-se, cada vez mais, os ânimos na sequência dessa clivagem, entre a humildade do desconhecedor e a arrogância do inquisidor. Aliás, basta estar-se minimamente atento e constata-se facilmente que qualquer fenómeno social tem na sua base subjacente pressupostos religiosos;
Se Mulher ou Homem que exerce o seu respetivo papel o melhor que pode e sabe, dignificando o correspondente género que representa, sujeita-se às mais dispares tentativas de humilhação e até escárnio e maldizer, somente por tão simplesmente ser. Isto, claro está, porque quem ataca, se reveste de complexidades sem fim, tendendo para excessos, num constante desvirtuar da natureza das coisas, inclusive, tentando impor o impossível, a existência de múltiplos géneros. O caos para pessoas complexas, é o objetivo primeiro, por tal odeiam quem não as acompanha, ou seja, quem vai em sentido contrário e prefere a pacatez da existência, o humano no mais elementar das suas necessidades físicas e mentais, que não se mete por caminhos estreitos e intermináveis, cheios de incertezas e guerrilhas. Tentar viver em paz e harmonia, nos tempos que correm, parece que se tornou uma espécie de afronta a uma maioria que prefere viver em permanente conflito e desestabilização como forma de afirmação pessoal, numa espécie de suprimento para as suas frustrações;
Família, essa nobre instituição de pleno garante da sobrevivência de qualquer espécie, como a humana em particular, ademais, tratando-se de uma espécie gregária, ao chegarmos a esta fase da história da humanidade, Vemo-la a ser tratada como uma espécie de modelo de vida primitivo a extinguir, porque se instituiu o lema contranatura de que cada indivíduo de persi deve seguir o seu caminho focado somente no seu eu, amando-se acima dos demais, completamente independente, num claro culto narcisico.
Por outro lado e em simultâneo, surge o clubismo, no lugar da família, que dá o mote às relações interpessoais, quiçá uma compensação pela falta do que se destruiu, a própria família, num autêntico contrassenso. Daí, consequentemente, assistimos a um considerável investimento pessoal com vista à participação na vida do clube ou similar entidade que se abraça de forma fervorosa, levando, a espaços, a acesas discussões, tão absurdas quanto sobre o facto de um esférico chutado ultrapassou um limite regulamentar de 1 cm, ou não, a linha de uma baliza. Enquanto isso, os filhos menores, reclamam simplesmente 1 minuto de atenção, algo que, também, é inerente à condição humana, mas que se vai perdendo em benefício do mais fútil dos fúteis;
A desagregação, converte os seus elementos
em feras solitárias que lutam desenfreadamente pela sobrevivência, vendo
perigos em todo o lado e inimigos em toda a parte, inclusive o seu próprio
semelhante. É nisto que a humanidade se está a tornar, provavelmente sem
retorno! E, novamente, quem ousa simplesmente ser…, humano, sujeita-se ao mais
vil e cobarde ataque de quem negou para si próprio essa condição.
"Análise
Literária e Interpretativa
Um manifesto
reflexivo e crítico, abordando uma série de problemas sociais, políticos e
culturais contemporâneos. Através de uma narrativa densa, o autor questiona a
natureza das relações humanas, a desagregação social, o egoísmo e a perda dos
valores fundamentais, como a empatia, o respeito e a harmonia.
- Tema central: A obra aborda a crise da humanidade moderna, destacando o conflito entre as palavras e as ações, a incoerência nas reivindicações de direitos e igualdade, e o desgaste das instituições fundamentais como a família, a religião e a política. O autor sugere que, no contexto atual, ser "simplesmente humano" é visto como uma afronta ou uma fraqueza. Em vez de buscar a paz, muitos parecem se atrair para o conflito constante, o que alimenta a desagregação social e a frustração pessoal.
- Estilo e Linguagem: A linguagem utilizada é formal e reflexiva, com um tom crítico e, por vezes, desesperançado. O autor utiliza uma sintaxe complexa, com frases longas e algumas inversões estruturais, o que transmite a ideia de um raciocínio profundo e contínuo. Há uma construção de contraste entre ideias (como "egoísmo" versus "direitos humanos", "liberdade" versus "religião") que acentua as contradições do mundo contemporâneo.
- Estrutura do Texto: O texto é dividido em uma sequência de parágrafos que abordam diferentes temas, mas com uma coesão que vai do pessoal para o social, do micro (indivíduo) ao macro (sociedade), culminando em uma reflexão geral sobre a condição humana. Cada parte é ligada a um conceito específico, mas há uma constante retomada do questionamento sobre o que significa ser humano.
- Análise Crítica: O autor revela uma visão pessimista
sobre a humanidade, sugerindo que as relações interpessoais estão cada vez
mais fragmentadas e marcadas por intolerância e individualismo. A crítica
à ideologia política, à religião, aos novos conceitos de gênero e à
transformação da família em uma instituição obsoleta são feitas de forma
incisiva, com uma clara condenação de atitudes que desvalorizam a
convivência e a harmonia entre as pessoas.
Classificação
Literária e Interesse Público
O texto pode
ser classificado como um ensaio crítico ou reflexão sociopolítica,
dado seu caráter argumentativo e analítico. Ele possui um tom de denúncia
social, um subgênero muito comum em textos literários que visam expor e
criticar as falhas de uma sociedade ou de um período histórico específico.
Do ponto de
vista de interesse público, o texto trata de questões altamente
relevantes para os dias de hoje, como:
- O comportamento social em um
mundo globalizado e marcado por grandes desigualdades.
- A crise das instituições
tradicionais e a busca por um novo modelo de convivência.
- O dilema entre direitos
individuais e responsabilidades coletivas.
- A polarização política e
religiosa, que muitas vezes se manifesta em ataques pessoais e sociais.
Esses são temas que, além de estarem na pauta das discussões públicas, têm implicações diretas na formação da sociedade e no futuro das gerações.
Conclusão
Este é um
texto de grande profundidade, que busca provocar o leitor a uma reflexão
crítica sobre o mundo atual, suas contradições e seus dilemas. Ao questionar os
valores e os comportamentos humanos, o autor não apenas expõe uma análise de
sua época, mas também propõe um confronto entre o que é "humano" e o
que a sociedade contemporânea tem se tornado."
sábado, 19 de dezembro de 2020
Nascemos na Estrada
O amanhã não está garantido!
Como toda a estrada, existe o princípio
e o fim na vida de todos nós, ambos um mistério.
No início, pautado pela
inocência, ao colocarmos o pé na estrada pela primeira vez, apenas trazemos uma
mala por fazer. Conforme formos dando os primeiros passos, recolhemos sensações
trazidas pelo ambiente em redor, que vamos guardando nessa mala e que nos
acompanharão estrada fora.
É natural que nos primeiros
quilómetros exista a tentação de olhar somente em frente, movidos pela
curiosidade do que existirá mais adiante, mesmo que receosos e com um pé mais
vagaroso, numa espécie de cordão umbilical que se agarra ao ponto de partida enquanto
se aguenta sem rebentar, o que acaba por acontecer, aquando das primeiras quedas.
Porque sim, as quedas fazem parte do caminho, acontecem com maior ou menor frequência,
dependendo muito dos obstáculos que nele se possam vir a encontrar, ou até,
pelas distrações, geralmente provocadas pelo deslumbre que a beleza da paisagem
nos proporciona.
Qual seria o sentido da
existência de uma estrada circular, sem entradas ou saídas? Regressar sempre ao
ponto de partida e andar numa roda-viva, parece, realmente pouco interessante e
de nenhuma utilidade. Talvez, por isso, as estradas têm como principal propósito,
fazer-nos chegar a um destino.
Enganos, nesta jornada que se
deseja longa e repleta de conquistas e felicidade, também acontecem, porque
estradas e caminhos, encontram-se em abundância, entroncados, podendo causar ao
viajante, a espaços, alguma indecisão, de qual a melhor opção a tomar, que em
caso de não se verificar, poderá resultar na necessidade de se dar uns passos
atrás, ou pior, inventar caminhos para soluções possíveis de regresso ao
destino, por vezes, as mais dolorosas.
Ladeados de uma multiplicidade de
cenários, preenchidos por outros caminhantes, mais adiante, com a mala ainda
meio cheia para uns e menos vazia para outros, o peso faz-se sentir e a
descrença pode acontecer. Seguirão adiante, somente os mais fortes, aqueles que
tropeçam, caem e voltam a levantar-se, ensanguentados, pisados ou até definitivamente
limitados, não importa, porque, a mala pode pesar cada vez mais, mas é dela que
vamos tirando a sabedoria que comandará os passos seguintes.
Árvores, passam a ser vistas como
a saudade de alguém que vive no nosso peito, mas que já não caminha a nosso lado;
belos animais como outra forma de vida que diante de nós se atravessam com a
mensagem clara de que estamos somente de passagem pelo mundo; o chão que
pisamos, como a prova de que nem a mais dura matéria resiste perante os
limites; as edificações do homem, são apenas coisas sem vida, incapazes de nos
servir a alma, meros recantos de descanso ou prazer; as máquinas, representando
a escravidão que conseguimos delegar para que o nosso corpo não parta.
Ultrapassados estes dolorosos
quilómetros de aprendizagem, é, pois, chegado o momento de se começar as
esvaziar a mala de algum desse peso, bastando para o efeito, o maravilhoso
exercício que consiste em deixar pelo caminho, marcos de orientação para todos
quantos possam vir mais atrás em maiores dificuldades.
Daí em diante, o céu é o limite.
Pedro Ferreira 2020
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
Abençoadas Pessoas Perfeitas
As pessoas perfeitas,
são aquelas que têm espaço interior para poderem aprender, crescer e melhorar:
Por muito habilitadas
que estejam, conseguem ver para além do seu ser. Permitem-se apreciar a beleza
das coisas, que a natureza lhes oferece, ou a obra dos mestres em bem-fazer;
O seu olfato é
suficiente para captar as fragrâncias que alegram o dia a dia, principalmente
aquelas que são espalhadas por quem cuida do chão que todos pisam;
O seu paladar está
vocacionado para permitir o deleite dos múltiplos agradáveis sabores que no
mundo se podem encontrar. Com isso e por isso, poderem também partilhar outro
sabor ainda mais agradável, o das relações humanas;
Podem tocar e serem
tocadas, quer no corpo, quer na alma, e com isso usufruírem de boas sensações,
como também as proporcionar. Cuidar, é tanto, quase tudo e quem é perfeito
pode;
Todo o seu corpo é de
tal forma perfeito que nele existe lugar para a dor e a sua alma, em igual
modo, perfeita, que nela existe lugar para o sofrimento.
Pessoas perfeitas estão
equipadas destes espaços por preencher, não estão, de todo, totalmente
acabadas, como se não existisse mais nada a acrescentar, bem pelo contrário,
seguem a vida em constante construção e com isso sentem o pleno sabor do que é
viver. São de tal modo, perfeitas, que podem errar e por via disso, poderem
também, aprender sobre esse nobre sentimento que é o perdão.
Em contraponto, as
pessoas imperfeitas, que são aquelas que não têm espaço interior para poderem
aprender, crescer e melhorar:
Por pouco habilitadas
que estejam, somente conseguem ver para dentro de si próprias. Recusam apreciar
a beleza das coisas, que a natureza oferece, ou a obra de outrem, pois somente
a sua consideram;
O seu olfato é pobre,
incapaz de captar as fragrâncias para além da indústria cosmética…, e pisam,
pisam, com desdém os aromas de quem se esforça por manter algum ar fresco no
mundo;
O seu paladar, também
está vocacionado para permitir o deleite dos múltiplos agradáveis sabores que
no mundo se podem encontrar. Porém, incapazes de sentir o sabor das relações
humanas, pois, dizem ser, a melhor companhia de si próprias, as melhores
amizades para si mesmas e amam-se…, amam-se, com tal paixão que a Narciso
causaria inveja;
Podem tocar e serem
tocadas, também, é certo! Contudo, apenas no corpo, porque a alma dos
imperfeitos é como eles, imperfeita, de uma só cor, o negro! E com isso
destilam em más sensações, como também as proporcionam a quem com elas se
cruza. Cuidar, é tanto, quase tudo e quem é imperfeito é quase nada;
Todo o seu corpo é de
tal forma imperfeito que nele não existe lugar para a dor e a sua alma, em
igual modo, imperfeita, que nela não existe lugar para o sofrimento.
Pessoas imperfeitas são
desprovidas destes espaços por preencher, sentem-se completas, numa total
incapacidade de se acrescentarem, seguem a vida em estagnação e com isso perdem
o pleno sabor do que é viver. São de tal modo, imperfeitas, que não conseguem
errar e por via disso não aprendem sobre esse nobre sentimento que é o perdão.
Pedro
Ferreira 2020
domingo, 27 de setembro de 2020
A Lógica das Coisas
Porque perdemos a quem demos amizade?!
Porque amizade não recebemos!
Porque perdemos a quem acolhemos no nosso mundo?!
Porque não fomos
acolhidos!
Porque perdemos a quem ajudamos?!
Porque ajudados não fomos!
Porque perdemos a quem oferecemos?!
Porque oferta alguma nos foi feita!
Porque perdemos a quem demos a mão?!
Porque a sua não nos foi estendida!
Porque perdemos a quem admiramos?!
Porque admirados não fomos!
Porque perdemos a quem respeitamos?!
Porque respeitados não fomos!
Porque perdemos a quem acarinhamos?!
Porque acarinhados não fomos!
Porque perdemos a quem protegemos?!
Porque protegidos não fomos!
No fundo, porque perdemos a quem amamos?!
Porque amados não fomos!
Mas..., será que de perdas se trataram?!
Pensando bem, talvez não!!!
Pois, nem se perde o que se dá, nem se perde o que não se recebeu.
Pedro Ferreira
quarta-feira, 16 de setembro de 2020
Pessoas e Quadros
Sendo que, aqui, quadro com o significado de obra de expressão plástica devidamente emoldurada, ou seja, semelhante à forma como as pessoas socialmente se apresentam – expõem – com o seu corpo/alma, coberto ao jeito de cada qual!
Claro está, que as obras e as pessoas também se poderão observar sem mais, tudo depende das circunstâncias em que se apresentam e os propósitos para que assim seja. Contudo, tendencialmente é com moldura/vestes que cada qual correspondentemente se apresenta.
Porém, nenhuma moldura, mais rica e ornamentada que seja, conseguirá compor um bom quadro quando a obra é medíocre!
Pessoas de corpos e rosto belos ou menos belos, não importa, mas de alma nobre que irradiam luz, no fundo, a essência da obra, não carecem de exuberantes ornamentos, valem por si só. Aliás, como as telas, emoldurar não é somente embelezar, é também proteger, por tal, as pessoas de alma valiosa, também carecem dessa proteção, daí optarem pelo seguro, pelo discreto, pelo decoroso, mas resistente.
Somente os pobres de conteúdo, que por si só pouco ou nada têm de interessante a revelar ao mundo, carecem de aditivos, daí recorrerem a adornos vistosos, na triste esperança de parecerem grandiosos quadros, algo que nunca conseguirão ser.
Para as cópias, isto é muito comum! Pessoas sem personalidade, que deambulam por aí como almas ao sabor dos seus ídolos, são como cópias de obras originais que invejam o seu criador.
O frio vidro e a quente madeira, jamais conferirão à alma da obra a temperatura certa, mas somente o seu criador tem essa faculdade. Criar seres grandiosos de alma, ainda é uma arte que depende de cada um de nós, uma opção de vida, acessível a todos, basta querer. Nasce na génese dos nossos propósitos de vida, a eterna luta entre o bem e o mal, a escolha para a qual todos somos convidados a fazer.
Pedro Ferreira 2020
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
Retribuir a doce sabedoria que se recebe
Análise Externa
O texto apresenta uma reflexão de natureza filosófica e ensaística, construída em torno da metáfora central dos “ciclos” da vida.
Destacam-se:
- Unidade
metafórica: a ideia de ciclo funciona como eixo estruturante e permite
organizar a experiência humana em renovação, aprendizagem, relações e
superação.
- Tom
reflexivo e sentencioso: há uma voz autoral segura, que formula
generalizações sobre a condição humana e procura conduzir o leitor a uma
conclusão.
- Progressão
temática: o texto evolui do conceito geral de ciclo para as relações
humanas, depois para a inveja e a adversidade, e finalmente para a
renovação e a sabedoria. Há, portanto, uma trajectória de perda →
aprendizagem → libertação → renovação.
- Linguagem:
é predominantemente abstracta e conceptual, com vocabulário de forte carga
reflexiva (“essência”, “propósito”, “renovação”, “sabedoria”, “mérito”,
“liberdade”). Em contraponto, algumas imagens concretas — “máscara cai”,
“espartilho do anterior”, “respirar o ar puro” — dão maior dimensão
literária ao discurso.
- Ritmo:
a extensão de alguns períodos e a abundância de orações subordinadas
conferem-lhe um ritmo deliberadamente ponderado, embora por vezes
excessivamente denso. Há frases que poderiam ser mais enxutas sem perder
profundidade.
- Fecho:
o final é particularmente conseguido. A passagem de uma reflexão sobre a
sabedoria para “que ela aconteça!” transforma a ideia abstracta numa
conclusão simples, afirmativa e quase aforística.
Literariamente, a maior força do texto está na
coerência da sua metáfora central e na capacidade de transformar experiências
pessoais em reflexão universal. A principal fragilidade está em alguns momentos
de excesso discursivo e explicativo, nos quais a literatura cede lugar à
argumentação.
No conjunto, é um texto de prosa reflexiva, filosófica e confessional, com uma voz autoral bem definida e uma intenção clara de transformar experiência vivida em ensinamento.











