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quinta-feira, 25 de maio de 2023

CAPACIDADE DE AMAR

Faz onze anos que escrevi esta convicção:

“Na escala de valores do Amor, quem agora crê já ter atingido o topo, mais adiante descobre que ainda nem a meio chegou.”

E que agora reforço, com recurso a outra semântica:

Este tema, o mais badalado, o amor, que se expressa de tantas formas e se escreve de outras tantas, mas que a mim me parece, na atualidade, resumir-se ao fato de, simplesmente, ser o sentimento mais desejado e o menos praticado;

Digo-o, porque o abraçar a vida trouxe-me grandes descobertas ao longo dos anos, nomeadamente nos últimos três, mostrando-me que existem demasiadas pessoas a dizerem que são muito amadas quando nem sequer se deram conta que de amor não se trata e outras tantas a dizerem que muito amam quando nem sequer têm a capacidade de amar.

Experiência de vida e muita proximidade com a diversidade de comportamentos humanos, permite-me, sem qualquer base científica, claro está, acreditar que poderemos subdividir este tema da seguinte forma:

- a total incapacidade de amar, inerente aos transtornos de personalidade, infelizmente em forte crescendo, inclusive uma característica cada vez mais apelativa para cargos de liderança (CEO – “Capacidade Emocional Omissa”);

- a residual capacidade de amar, fruto de mentes condicionadas por múltiplos receios e traumas, que as bloqueia emocionalmente, condicionando qualquer iniciativa no sentido da entrega por amor e, ao mesmo tempo, causando resistência à receção e interpretação de atos de amor;

- a ligeira capacidade de amar, fruto da acelerada vida quotidiana, onde não existe tempo nem espaço para amar, o que não anula totalmente a capacidade de o fazerem, empurrando esta enorme massa humana para um modo de vida parco em afetos priorizando a competitividade por via duma atitude estritamente racional perante a vida;

- a dificuldade de desenvolver essa capacidade, porque por mais que se queira amar, à falta de recetores a vida de quem decidiu amar torna-se um desafio constante, tantas vezes, agonizante e de consequências, por vezes, traumáticas, numa espécie de sufoco sentimental;

- e a total capacidade para amar, fazendo jus àquilo que acredito ser o nosso único propósito de vida, aquela que não pondera sequer todas as outras limitadas capacidades e incapacidades, simplesmente ama sem olhar a quem, pois são mentes – raríssimas, é certo – que já conseguiram atingir um patamar emocional suficientemente elevado para entenderem o amor como um sentimento que se tem e se dá, sendo que se todas as pessoas derem, todas as pessoas recebem. Simples!



Pedro Ferreira © 2023
(Todos os Direitos Reservados)

terça-feira, 12 de abril de 2022

Grandeza Humana

É recomendável que, por breves momentos, na vida de quem traçou para si um caminho de benfeitorias, se pare e se contemple com agrado as vitórias do bem sobre o mal.

Para muitas pessoas poderá ser difícil de entender, quase impossível de se fazer, mas responder com o bem a quem nos tenta fazer mal, é uma fórmula mágica de sucesso.

Pode ser penoso, mas vale a pena.

Olhar para trás e constatar que nesse caminho jazem as pedras que nos foram arremessadas, pelo qual passamos imperturbáveis, é uma sensação de grandeza humana indescritível.




Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

CRESCI...

já faz algum tempo, uns bons anos!

Foi quando olhei à minha volta e apercebi-me que estava rodeado de poucas pessoas, todas elas com um denominador comum, o bom carácter.

Depois, olhei para longe e reparei que era observado por muitas outras, estas últimas, igualmente, com algo em comum, o mau carácter.

Daí em diante, sempre que olhei à minha volta nada mudou, mas quando olhei para longe, encontrei uma ligeira diferença, é que não só vi as mesmas pessoas de mau carácter, como ainda quem as rodeia.

Nem todas as pessoas têm interesse em crescerem emocionalmente, preferirão para sempre a quantidade. São imensas e aparecem em grandes grupos, geralmente com uma aparente encantadora liderança à frente, mas que, na verdade, não passa de uma criatura manipuladora, com uma baixa autoestima que precisa de público para a tentar erguer.

À semelhança das pedras-preciosas, quem vale a pena ter por perto são as pessoas desagrupadas, raras e dispersas, cujo brilho é natural, não carenciado de holofotes. Em contraponto devem ser mantidas à máxima distância possível as que são fáceis de encontrar como o cascalho que se amontoa em qualquer canto, cuja opacidade não nos permite distinguir umas das outras.

Carências afetivas são o grande mal da humanidade, também o ouvi dizer há muito tempo e aceitei como certo. E são essas mesmas carências que conduzem muitas pessoas incautas até esses amontoados na esperança de suprimirem tais carências, iludidas pela ideia de que uma carência compensa a outra, quando, na verdade, quantas mais carências se juntarem maior é a carência, na medida em que numa multidão em que ninguém tem nada para dar, ninguém recebe.

Viver na solidão não é bom, somos seres gregários, mas como tudo na vida, a sensatez reside na moderação, sendo que ter muitas pessoas por perto ou ninguém, são males feitos da mesma massa, apenas os diferencia a quantidade.

Cresci e hoje sei ver ao perto e ao longe, mas o olhar que mais nos ensina é aquele que recebemos, tanto de perto como de longe. Trazem até nós a diferença entre o bem e o mal e ninguém aprende com o que já conhece, apenas com o que está para conhecer.



Pedro Ferreira © 2022
(Todos os Direitos Reservados)
Revisto em 2025

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Não Seria Suposto Acontecer

Conforme se sabe, nas últimas décadas assistimos a um “boom” no número de divórcios/separações, relações findas, das quais, geralmente, houve frutos, alguns ainda menores, que bem ou mal, lá se foram adaptando à nova realidade dos pais.

Naturalmente, o comum é, pós-rutura, cada uma das partes seguir o seu caminho, quer uma delas o faça contrariada ou não, pois, infelizmente, ainda existe quem, à viva força, teime em ter a seu lado quem já não quer estar, mas não lhe restará outra opção senão essa, reencontrar-se num novo registo que já não será ao lado de quem se habituou a estar.

Deste tipo de desfecho, tem sido padrão, ser atribuído à mulher a morada de família, principalmente quando existem menores a cargo, mesmo que a guarda partilhada tenha passado a ser o mais comum nos últimos anos, algo que parece estar a funcionar e quiçá, ter permitido abrir a caixa de pandora, onde se afere, quem efetivamente é mais capaz de exercer as suas funções de bom cuidador, logo, grandes surpresas vieram à tona desde então.

Operacionalidades à parte, revestidas do seu ideal de pragmatismo, acreditando-se que toda a medida tomada entre as partes tem em vista o bem-estar comum, passemos às questões de maior subjetividade, os entendimentos e desentendimentos entre as partes…

Também neste aspeto, comummente, finda a relação é atribuído ao lado feminino o papel de vítima e ao masculino o de mau-da-fita de algo que, inquestionavelmente, correu mal, seja num aspeto específico da vida em comum, ou noutros, é habitual ler-se/ouvir-se a mulher a queixar-se com muito desagrado daquilo a que esteve sujeita, numa espécie de grito de libertação, ao passo que o homem, no seu papel menos efusivo nestes momentos, tende a remeter-se ao silêncio, que pode pressupor um assumir de culpa.

Desde violência física, psicológica, verbal, a desinteresse pelos filhos, ou abandono do lar, de entre tantas outras acusações, assim se escreve, pelo punho da mulher, a história de ambos. Em contrapartida, pelo silêncio do homem, se conta uma história que ninguém sabe se real ou fictícia.

Efetivamente, existem assuntos que não poderão ser abordados sem se generalizar, este é um deles! Por tal, aqui se explanam tendências que resultam da voz corrente entre partes. No entanto, nada disso confere a veracidade dos factos. Observe-se, então no seguinte…

O mais natural, perante este cenário, em que cada uma das partes parece ter o seu papel bem definido, surge a questão: não seria suposto, nessa nova caminhada a mulher ficar em vantagem perante a possibilidade de refazer a sua vida afetiva e o homem no papel de indesejado?

Curiosamente, não são poucos os casos em que se verifica, exatamente o contrário, ou seja, o homem a refazer a sua vida, com alguém que o ama e enaltece grandemente e que lhe dá mais filhos, numa nova família, onde se incluem em sã convivência os filhos que já tinha, com quem nutrem uma excelente relação, tendo o pai como uma referência. Entretanto, por seu lado, a mulher, que aparentemente “aguentou” um mau homem durante muitos anos, salta de relação em relação, sem nunca se assertar e não aguenta nem um mês perto de um bom homem que goste dela. Sendo ainda de referir, que com os filhos a relação se deteriora com o tempo, preferindo estes, cada vez mais, ficar com o pai que com a mãe.

Posto isto, longe de um pressuposto sexista, mas apenas com base em dados concretos e transversais, é de se levantar a questão, do porquê de tal fenómeno, se é que de um fenómeno realmente se trata, ou se, na verdade, estaremos perante um rol contagioso de histórias mal contadas, pois, a ser verdade o que se ouve por aí, não seria suposto acontecer assim, mas ao contrário.

Aqui poderá caber, perfeitamente, o conceito de maltrato, que tem muito para dissecar, na medida em que, em muitos casos, começa cedo demais e de uma forma bem refinada: aquele silêncio ensurdecedor; aquela chantagem emocional; aquela birra; aquele amuo; aquele “não sei o quê”, só porque sim; aquela indiferença; aquele murmúrio; etc. Anos após anos nesta desgastante moinha é das formas de violência mais insuportáveis que se pode sofrer, que conduz a parte lesada a um acumular de stress que pode rebentar a qualquer momento... Quem sabe o momento em que passa a ser o mau-da-fita!



Pedro Ferreira 2021


quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Sofrer de Verdade

Vivemos tempos em que a verdade é tão incómoda que parece ter-se tornado no inimigo público número um. Um inimigo a abater!

Houve tempos em que o grande desígnio do homem era a busca pela verdade. Neste tempo, é tentar omitir a verdade.

Muitas pessoas consideram que, quem melhor consegue contornar a verdade, é a pessoa mais inteligente, a mais capaz e fortemente habilitada para enfrentar os constantes desafios do Mundo, enquanto a que busca a verdade, exatamente o contrário.

De tal forma assim acontece, que é voz corrente dizer-se que cada um de nós tem a sua própria verdade, ou seja, outra forma de tentar passar a ideia que a mentira não existe, tudo é relativo, dependente da forma como se vê e não da forma como realmente as coisas são.

Talvez convenha que assim seja, pois, com esta semântica, a mentira é dourada. Mas, por mais que a valorizem e a tentem vestir de verdade, mentira será sempre tudo aquilo que se diz ser, quando não o é, levando outros ao engano.

Os propósitos da mentira podem ser muito perversos e causadores de grande estrago na vida de terceiros, mas os ataques à verdade ainda causam maior estrago, sufocam quem a defende.

É tão agressivo o combate à verdade, que as apelidadas de "fake news" tornaram-se uma espécie de desafio da moda, que consiste em aferir quem mente melhor e durante mais tempo. No fundo, a generosa oferta de uma representação à medida de um público ávido de jogos perversos.

Dizer a verdade chega a ser considerado difamatório!

É neste terreno fértil em falsidade que cresce imparável a grande vaga de seres-humanos desprovidos de valores morais, apologistas da ganância, experts em manipulação e chantagem, cujos nomes científicos começam a ser vastos à medida da disparidade dos transtornos de personalidade que vão denotando. Mas, até neste aspeto, a verdade pode ser desconsiderada em benefício claro da mentira, por existir quem admire este tipo de pessoas, devido, essencialmente, ao seu alto rendimento na obtenção selvática de lucro nas empresas ou, pior ainda, pela sua elevada capacidade de congregar multidões em torno de perigosas ideologias de cariz sociopolítico.

No fundo..., todos nós, dos corretos aos incorretos, sabemos bem o que é autêntico e o que é falso. Contudo, como na sociedade atualmente predominam os incorretos, não se pode esperar outra coisa senão este panorama social revestido de falsidade, onde a verdade é abafada, ridicularizada, agredida, sofrendo uma espécie de bullying, ostracizando quem ouse seguir por esse caminho?!




Pedro Ferreira

domingo, 10 de janeiro de 2021

VIVEMOS NUM TEMPO EM QUE NÃO SE PODE SER SIMPLESMENTE …, HUMANO!

Multidões se levantam apregoando os direitos humanos, a igualdade e a justiça, de entre outros valores a que todos deveríamos ter direito. Contudo, nas relações interpessoais, uma grande parte das pessoas não admite que o seu interlocutor tenha esse direito, contradizem-se em toda a linha. Quiçá, apanágio do mundo conforme hoje em dia se revela, povoado de pessoas profundamente egoístas, em que cada indivíduo chama a si o exclusivo usufruto de tais direitos, apenas porque pensam correto, mesmo que ajam errado.

Quem não se revê em sistemas políticos ou, tão-somente, em qualquer ideologia partidária, torna-se alvo de um autêntico massacre por parte de quem se revê nos sistemas instituídos, com vista à imposição da sua visão política e ideológica, como se fosse, de entre tantas, a perfeita e inquestionável, muitas vezes com recurso à ofensa fácil, caso os seus intentos não sejam acolhidos. Afinal de contas, seja qual for a opção partidária, os ditadores farão sempre parte do cenário;

Com a religião, desde tempos ancestrais associada à política, passa-se o mesmo, se alguém não professar nenhuma religião ou crença, mesmo que tenha a sua fé, a diferença será sempre alvo de ataque. Autênticas lavagens ao cérebro continuam a ser feitas por parte das pessoas fundamentalistas. Deuses, também os há em todas as religiões, os tais que querem saber mais que o verdadeiro Deus e decidir contrariamente à Sua vontade. Mas este é um fenómeno que não se crê algum dia venha a extinguir-se, bem pelo contrário, acicatam-se, cada vez mais, os ânimos na sequência dessa clivagem, entre a humildade do desconhecedor e a arrogância do inquisidor. Aliás, basta estar-se minimamente atento e constata-se facilmente que qualquer fenómeno social tem na sua base subjacente pressupostos religiosos;

Se Mulher ou Homem que exerce o seu respetivo papel o melhor que pode e sabe, dignificando o correspondente género que representa, sujeita-se às mais dispares tentativas de humilhação e até escárnio e maldizer, somente por tão simplesmente ser. Isto, claro está, porque quem ataca, se reveste de complexidades sem fim, tendendo para excessos, num constante desvirtuar da natureza das coisas, inclusive, tentando impor o impossível, a existência de múltiplos géneros. O caos para pessoas complexas, é o objetivo primeiro, por tal odeiam quem não as acompanha, ou seja, quem vai em sentido contrário e prefere a pacatez da existência, o humano no mais elementar das suas necessidades físicas e mentais, que não se mete por caminhos estreitos e intermináveis, cheios de incertezas e guerrilhas. Tentar viver em paz e harmonia, nos tempos que correm, parece que se tornou uma espécie de afronta a uma maioria que prefere viver em permanente conflito e desestabilização como forma de afirmação pessoal, numa espécie de suprimento para as suas frustrações;

Família, essa nobre instituição de pleno garante da sobrevivência de qualquer espécie, como a humana em particular, ademais, tratando-se de uma espécie gregária, ao chegarmos a esta fase da história da humanidade, Vemo-la a ser tratada como uma espécie de modelo de vida primitivo a extinguir, porque se instituiu o lema contranatura de que cada indivíduo de persi deve seguir o seu caminho focado somente no seu eu, amando-se acima dos demais, completamente independente, num claro culto narcisico.

Por outro lado e em simultâneo, surge o clubismo, no lugar da família, que dá o mote às relações interpessoais, quiçá uma compensação pela falta do que se destruiu, a própria família, num autêntico contrassenso. Daí, consequentemente, assistimos a um considerável investimento pessoal com vista à participação na vida do clube ou similar entidade que se abraça de forma fervorosa, levando, a espaços, a acesas discussões, tão absurdas quanto sobre o facto de um esférico chutado ultrapassou um limite regulamentar de 1 cm, ou não, a linha de uma baliza. Enquanto isso, os filhos menores, reclamam simplesmente 1 minuto de atenção, algo que, também, é inerente à condição humana, mas que se vai perdendo em benefício do mais fútil dos fúteis;

A desagregação, converte os seus elementos em feras solitárias que lutam desenfreadamente pela sobrevivência, vendo perigos em todo o lado e inimigos em toda a parte, inclusive o seu próprio semelhante. É nisto que a humanidade se está a tornar, provavelmente sem retorno! E, novamente, quem ousa simplesmente ser…, humano, sujeita-se ao mais vil e cobarde ataque de quem negou para si próprio essa condição.



"Análise Literária e Interpretativa

Um manifesto reflexivo e crítico, abordando uma série de problemas sociais, políticos e culturais contemporâneos. Através de uma narrativa densa, o autor questiona a natureza das relações humanas, a desagregação social, o egoísmo e a perda dos valores fundamentais, como a empatia, o respeito e a harmonia.

  1. Tema central: A obra aborda a crise da humanidade moderna, destacando o conflito entre as palavras e as ações, a incoerência nas reivindicações de direitos e igualdade, e o desgaste das instituições fundamentais como a família, a religião e a política. O autor sugere que, no contexto atual, ser "simplesmente humano" é visto como uma afronta ou uma fraqueza. Em vez de buscar a paz, muitos parecem se atrair para o conflito constante, o que alimenta a desagregação social e a frustração pessoal. 
  1. Estilo e Linguagem: A linguagem utilizada é formal e reflexiva, com um tom crítico e, por vezes, desesperançado. O autor utiliza uma sintaxe complexa, com frases longas e algumas inversões estruturais, o que transmite a ideia de um raciocínio profundo e contínuo. Há uma construção de contraste entre ideias (como "egoísmo" versus "direitos humanos", "liberdade" versus "religião") que acentua as contradições do mundo contemporâneo.
  1. Estrutura do Texto: O texto é dividido em uma sequência de parágrafos que abordam diferentes temas, mas com uma coesão que vai do pessoal para o social, do micro (indivíduo) ao macro (sociedade), culminando em uma reflexão geral sobre a condição humana. Cada parte é ligada a um conceito específico, mas há uma constante retomada do questionamento sobre o que significa ser humano.
  1. Análise Crítica: O autor revela uma visão pessimista sobre a humanidade, sugerindo que as relações interpessoais estão cada vez mais fragmentadas e marcadas por intolerância e individualismo. A crítica à ideologia política, à religião, aos novos conceitos de gênero e à transformação da família em uma instituição obsoleta são feitas de forma incisiva, com uma clara condenação de atitudes que desvalorizam a convivência e a harmonia entre as pessoas.

Classificação Literária e Interesse Público

O texto pode ser classificado como um ensaio crítico ou reflexão sociopolítica, dado seu caráter argumentativo e analítico. Ele possui um tom de denúncia social, um subgênero muito comum em textos literários que visam expor e criticar as falhas de uma sociedade ou de um período histórico específico.

Do ponto de vista de interesse público, o texto trata de questões altamente relevantes para os dias de hoje, como:

  • O comportamento social em um mundo globalizado e marcado por grandes desigualdades.
  • A crise das instituições tradicionais e a busca por um novo modelo de convivência.
  • O dilema entre direitos individuais e responsabilidades coletivas.
  • A polarização política e religiosa, que muitas vezes se manifesta em ataques pessoais e sociais.

Esses são temas que, além de estarem na pauta das discussões públicas, têm implicações diretas na formação da sociedade e no futuro das gerações.

Conclusão

Este é um texto de grande profundidade, que busca provocar o leitor a uma reflexão crítica sobre o mundo atual, suas contradições e seus dilemas. Ao questionar os valores e os comportamentos humanos, o autor não apenas expõe uma análise de sua época, mas também propõe um confronto entre o que é "humano" e o que a sociedade contemporânea tem se tornado."


Pedro Ferreira © 2021
(Todos os Direitos Reservados)
(Revisto em 2025)

sábado, 19 de dezembro de 2020

Nascemos na Estrada

O amanhã não está garantido!

Como toda a estrada, existe o princípio e o fim na vida de todos nós, ambos um mistério.

No início, pautado pela inocência, ao colocarmos o pé na estrada pela primeira vez, apenas trazemos uma mala por fazer. Conforme formos dando os primeiros passos, recolhemos sensações trazidas pelo ambiente em redor, que vamos guardando nessa mala e que nos acompanharão estrada fora.

É natural que nos primeiros quilómetros exista a tentação de olhar somente em frente, movidos pela curiosidade do que existirá mais adiante, mesmo que receosos e com um pé mais vagaroso, numa espécie de cordão umbilical que se agarra ao ponto de partida enquanto se aguenta sem rebentar, o que acaba por acontecer, aquando das primeiras quedas. Porque sim, as quedas fazem parte do caminho, acontecem com maior ou menor frequência, dependendo muito dos obstáculos que nele se possam vir a encontrar, ou até, pelas distrações, geralmente provocadas pelo deslumbre que a beleza da paisagem nos proporciona.

Qual seria o sentido da existência de uma estrada circular, sem entradas ou saídas? Regressar sempre ao ponto de partida e andar numa roda-viva, parece, realmente pouco interessante e de nenhuma utilidade. Talvez, por isso, as estradas têm como principal propósito, fazer-nos chegar a um destino.

Enganos, nesta jornada que se deseja longa e repleta de conquistas e felicidade, também acontecem, porque estradas e caminhos, encontram-se em abundância, entroncados, podendo causar ao viajante, a espaços, alguma indecisão, de qual a melhor opção a tomar, que em caso de não se verificar, poderá resultar na necessidade de se dar uns passos atrás, ou pior, inventar caminhos para soluções possíveis de regresso ao destino, por vezes, as mais dolorosas.

Ladeados de uma multiplicidade de cenários, preenchidos por outros caminhantes, mais adiante, com a mala ainda meio cheia para uns e menos vazia para outros, o peso faz-se sentir e a descrença pode acontecer. Seguirão adiante, somente os mais fortes, aqueles que tropeçam, caem e voltam a levantar-se, ensanguentados, pisados ou até definitivamente limitados, não importa, porque, a mala pode pesar cada vez mais, mas é dela que vamos tirando a sabedoria que comandará os passos seguintes.

Árvores, passam a ser vistas como a saudade de alguém que vive no nosso peito, mas que já não caminha a nosso lado; belos animais como outra forma de vida que diante de nós se atravessam com a mensagem clara de que estamos somente de passagem pelo mundo; o chão que pisamos, como a prova de que nem a mais dura matéria resiste perante os limites; as edificações do homem, são apenas coisas sem vida, incapazes de nos servir a alma, meros recantos de descanso ou prazer; as máquinas, representando a escravidão que conseguimos delegar para que o nosso corpo não parta.

Ultrapassados estes dolorosos quilómetros de aprendizagem, é, pois, chegado o momento de se começar as esvaziar a mala de algum desse peso, bastando para o efeito, o maravilhoso exercício que consiste em deixar pelo caminho, marcos de orientação para todos quantos possam vir mais atrás em maiores dificuldades.

Daí em diante, o céu é o limite.



Pedro Ferreira 2020

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Abençoadas Pessoas Perfeitas

As pessoas perfeitas, são aquelas que têm espaço interior para poderem aprender, crescer e melhorar:

Por muito habilitadas que estejam, conseguem ver para além do seu ser. Permitem-se apreciar a beleza das coisas, que a natureza lhes oferece, ou a obra dos mestres em bem-fazer;

O seu olfato é suficiente para captar as fragrâncias que alegram o dia a dia, principalmente aquelas que são espalhadas por quem cuida do chão que todos pisam;

O seu paladar está vocacionado para permitir o deleite dos múltiplos agradáveis sabores que no mundo se podem encontrar. Com isso e por isso, poderem também partilhar outro sabor ainda mais agradável, o das relações humanas;

Podem tocar e serem tocadas, quer no corpo, quer na alma, e com isso usufruírem de boas sensações, como também as proporcionar. Cuidar, é tanto, quase tudo e quem é perfeito pode;

Todo o seu corpo é de tal forma perfeito que nele existe lugar para a dor e a sua alma, em igual modo, perfeita, que nela existe lugar para o sofrimento.

Pessoas perfeitas estão equipadas destes espaços por preencher, não estão, de todo, totalmente acabadas, como se não existisse mais nada a acrescentar, bem pelo contrário, seguem a vida em constante construção e com isso sentem o pleno sabor do que é viver. São de tal modo, perfeitas, que podem errar e por via disso, poderem também, aprender sobre esse nobre sentimento que é o perdão.

Em contraponto, as pessoas imperfeitas, que são aquelas que não têm espaço interior para poderem aprender, crescer e melhorar:

Por pouco habilitadas que estejam, somente conseguem ver para dentro de si próprias. Recusam apreciar a beleza das coisas, que a natureza oferece, ou a obra de outrem, pois somente a sua consideram;

O seu olfato é pobre, incapaz de captar as fragrâncias para além da indústria cosmética…, e pisam, pisam, com desdém os aromas de quem se esforça por manter algum ar fresco no mundo;

O seu paladar, também está vocacionado para permitir o deleite dos múltiplos agradáveis sabores que no mundo se podem encontrar. Porém, incapazes de sentir o sabor das relações humanas, pois, dizem ser, a melhor companhia de si próprias, as melhores amizades para si mesmas e amam-se…, amam-se, com tal paixão que a Narciso causaria inveja;

Podem tocar e serem tocadas, também, é certo! Contudo, apenas no corpo, porque a alma dos imperfeitos é como eles, imperfeita, de uma só cor, o negro! E com isso destilam em más sensações, como também as proporcionam a quem com elas se cruza. Cuidar, é tanto, quase tudo e quem é imperfeito é quase nada;

Todo o seu corpo é de tal forma imperfeito que nele não existe lugar para a dor e a sua alma, em igual modo, imperfeita, que nela não existe lugar para o sofrimento.

Pessoas imperfeitas são desprovidas destes espaços por preencher, sentem-se completas, numa total incapacidade de se acrescentarem, seguem a vida em estagnação e com isso perdem o pleno sabor do que é viver. São de tal modo, imperfeitas, que não conseguem errar e por via disso não aprendem sobre esse nobre sentimento que é o perdão.



Pedro Ferreira 2020

domingo, 27 de setembro de 2020

A Lógica das Coisas

Porque perdemos a quem demos amizade?!

Porque amizade não recebemos!


Porque perdemos a quem acolhemos no nosso mundo?!

Porque não fomos acolhidos!


Porque perdemos a quem ajudamos?!

Porque ajudados não fomos!


Porque perdemos a quem oferecemos?!

Porque oferta alguma nos foi feita!


Porque perdemos a quem demos a mão?!

Porque a sua não nos foi estendida!


Porque perdemos a quem admiramos?!

Porque admirados não fomos!


Porque perdemos a quem respeitamos?!

Porque respeitados não fomos!


Porque perdemos a quem acarinhamos?!

Porque acarinhados não fomos!


Porque perdemos a quem protegemos?!

Porque protegidos não fomos!


No fundo, porque perdemos a quem amamos?!

Porque amados não fomos!


Mas..., será que de perdas se trataram?!

Pensando bem, talvez não!!!

Pois, nem se perde o que se dá, nem se perde o que não se recebeu.




Pedro Ferreira

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Pessoas e Quadros

As pessoas são como quadros!

Sendo que, aqui, quadro com o significado de obra de expressão plástica devidamente emoldurada, ou seja, semelhante à forma como as pessoas socialmente se apresentam – expõem – com o seu corpo/alma, coberto ao jeito de cada qual!

Claro está, que as obras e as pessoas também se poderão observar sem mais, tudo depende das circunstâncias em que se apresentam e os propósitos para que assim seja. Contudo, tendencialmente é com moldura/vestes que cada qual correspondentemente se apresenta.

Porém, nenhuma moldura, mais rica e ornamentada que seja, conseguirá compor um bom quadro quando a obra é medíocre!

Pessoas de corpos e rosto belos ou menos belos, não importa, mas de alma nobre que irradiam luz, no fundo, a essência da obra, não carecem de exuberantes ornamentos, valem por si só. Aliás, como as telas, emoldurar não é somente embelezar, é também proteger, por tal, as pessoas de alma valiosa, também carecem dessa proteção, daí optarem pelo seguro, pelo discreto, pelo decoroso, mas resistente.

Somente os pobres de conteúdo, que por si só pouco ou nada têm de interessante a revelar ao mundo, carecem de aditivos, daí recorrerem a adornos vistosos, na triste esperança de parecerem grandiosos quadros, algo que nunca conseguirão ser.

Para as cópias, isto é muito comum! Pessoas sem personalidade, que deambulam por aí como almas ao sabor dos seus ídolos, são como cópias de obras originais que invejam o seu criador.

O frio vidro e a quente madeira, jamais conferirão à alma da obra a temperatura certa, mas somente o seu criador tem essa faculdade. Criar seres grandiosos de alma, ainda é uma arte que depende de cada um de nós, uma opção de vida, acessível a todos, basta querer. Nasce na génese dos nossos propósitos de vida, a eterna luta entre o bem e o mal, a escolha para a qual todos somos convidados a fazer.

 

 

Pedro Ferreira 2020

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Retribuir a doce sabedoria que se recebe

A vida dos humanos aparenta ser composta de ciclos: enquanto o atual se vai fechando, o seguinte se vai abrindo.

Nenhum ciclo é igual aos anteriores, nem de outra forma faria sentido, sob pena de se perder o propósito da renovação. No entanto, a cada novo ciclo, acontece sempre algo que se repete, com outras personagens noutro espaço. Entre ciclos, se vão formando elos, que são as relações de lealdade que ciclo após ciclo passam connosco todas as etapas da vida, quer sejam boas, ou más.

Outras relações, porém, quedam-se por um ciclo apenas, são aquelas que surgem e se destacam nesse período. Quando findas, apenas fica a passagem de alguém que representou uma espécie de personificação de uma matéria de estudo que ainda nos faltava assimilar. Em certos casos, levando com elas tudo que estava a mais na nossa vida, incluindo pessoas em quem acreditávamos.

A cada transição de ciclo, tudo retoma o seu lugar ideal: as pessoas ficam com quem mais se identificam; e as coisas são mero usufruto passageiro.

Pessoas bem-intencionadas, até prova em contrário, confiam, permitindo que a cada ciclo que se abre, entrem nas suas vidas outras personagens de uma nova realidade: umas são genuínas, porque máscara não ostentam e essas não passam, essas ficam, tornam-se os tais elos, ciclo após ciclo; outras, que, por sua vez ostentam máscaras, gradualmente se vão revelando ao mesmo ritmo que o ciclo a que pertencem se vai fechando.

Subjacente a estas mudanças inerentes à própria vida, - naturalmente de quem a vive, na medida em que existe quem apenas sobreviva -, prevalece a essência que nos define, imutável, que corre todos os ciclos, pela qual não carece de qualquer exercício de certificação, pois a obra vai respondendo pelo seu autor.

Invejar quem tem obra bem-feita é algo comum entre humanos menos conseguidos, por tal, quem se realiza vê-se, frequentemente, invadido no seu tempo e espaço por quem, também, assim gostaria de ser e não consegue. Numa atração fatal, que começa pelo encantamento de quem acolhe a ideia ilusória de admiração e que acaba com a dura revelação de uma tentativa de usurpação do mérito dos humanos de bem com a vida. Daí à reativação é um passo, pois, assim que a máscara cai, sobressai o lema: “já que melhor não se conseguiu ser, tenta-se denegrir quem o é”.

Ao respirar-se o ar puro do início de um novo ciclo, após a libertação do espartilho do anterior, surgem os efeitos da fé: tudo aquilo que foi invejado, ou que sofreu a tentativa de dano e humilhação, apresenta-se agora revigorado.

Serão as tais energias de que tanto se fala?! Talvez! Certo, é que quando na presença de alguém que não é de paz e que está mal-intencionada, de facto, tudo parece emperrar ao nosso redor. Em contrapartida, quando longe dessas pessoas, a magia acontece e a energia positiva é renovada, crescendo a cada novo dia em plena liberdade.

Retribuir a doce sabedoria que se recebe é revelar este pequeno triunfo da renovação, patente no rosto de quem amamos, no trabalho que de súbito recebe um forte incentivo, no ambiente de paz que se gera por onde passamos e de tantas outras sensações boas que anunciam um passo em frente.

É isto que os sábios esperam quando nos transmitem a sua sabedoria: que ela aconteça!




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Análise Externa


O texto apresenta uma reflexão de natureza filosófica e ensaística, construída em torno da metáfora central dos “ciclos” da vida.

Destacam-se:

  • Unidade metafórica: a ideia de ciclo funciona como eixo estruturante e permite organizar a experiência humana em renovação, aprendizagem, relações e superação.
  • Tom reflexivo e sentencioso: há uma voz autoral segura, que formula generalizações sobre a condição humana e procura conduzir o leitor a uma conclusão.
  • Progressão temática: o texto evolui do conceito geral de ciclo para as relações humanas, depois para a inveja e a adversidade, e finalmente para a renovação e a sabedoria. Há, portanto, uma trajectória de perda → aprendizagem → libertação → renovação.
  • Linguagem: é predominantemente abstracta e conceptual, com vocabulário de forte carga reflexiva (“essência”, “propósito”, “renovação”, “sabedoria”, “mérito”, “liberdade”). Em contraponto, algumas imagens concretas — “máscara cai”, “espartilho do anterior”, “respirar o ar puro” — dão maior dimensão literária ao discurso.
  • Ritmo: a extensão de alguns períodos e a abundância de orações subordinadas conferem-lhe um ritmo deliberadamente ponderado, embora por vezes excessivamente denso. Há frases que poderiam ser mais enxutas sem perder profundidade.
  • Fecho: o final é particularmente conseguido. A passagem de uma reflexão sobre a sabedoria para “que ela aconteça!” transforma a ideia abstracta numa conclusão simples, afirmativa e quase aforística.

Literariamente, a maior força do texto está na coerência da sua metáfora central e na capacidade de transformar experiências pessoais em reflexão universal. A principal fragilidade está em alguns momentos de excesso discursivo e explicativo, nos quais a literatura cede lugar à argumentação.

No conjunto, é um texto de prosa reflexiva, filosófica e confessional, com uma voz autoral bem definida e uma intenção clara de transformar experiência vivida em ensinamento.


Pedro Ferreira © 2020
(Todos os Direitos Reservados)

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Arma Apontada à Cabeça


Todos aqueles que pensam por si, têm ideias próprias, convicções, que acreditam somente naquilo que lhes faz sentido, não pactuam com as correntes que tudo aceitam ao sabor das modas, não são filiados, não são partidários, nem integram grupos, nos tempos que correm, estas são consideradas pessoas incomodas, logo tornam-se numa espécie de alvo a abater:


Ter fé numa determinada crença religiosa tornou-se uma ofensa para as demais, assim como parece que está socialmente implícito, que para quem pauta a sua conduta social por determinados valores morais, portanto, não se revendo em práticas e orientações religiosas que colidam com esses valores, será conotado com a intolerância religiosa. Não alinhar a vida pelas filosofias orientais, aceitando-as como a pura espiritualidade, também hoje em dia não é bem-visto, sendo, quem não segue por esse caminho, empurrando para um cemitério de ideias;


Ser-se heterossexual começa a ser complicado, tornou-se aos olhos de muitos pseudo vanguardistas uma espécie de orientação sexual estranha antinatura, pois estes últimos lá vão informando os primeiros que existem estudos que “comprovam” que nascemos todos homossexuais! Daí à estigmatização dos heterossexuais será um passo muito curto, antevendo-se tempos efetivamente muito difíceis para quem não alinha noutras tendências mais modernas;


Se alguém se identificar com um dos dois géneros tradicionais, porque se nasceu macho se sente masculino e se nasceu fêmea se sente feminino, começa a correr sérios riscos de ser apelidado de retrogrado, homofóbico e afins. O não alinhar na complexidade forçada de se encontrar muitas explicações para o simples, natural e óbvio, passou a ser considerado um atestado de ignorância, pois o mais correto para as novas correntes de pensamento é o infindável caminho da subjetividade onde qualquer pessoa simples, efetivamente, tem tudo para não se sentir à vontade;


Aquilo que até hoje, nos países ditos civilizados, é considerado crime, como a pedofilia, - uma aberração, ainda dizem – poderá, ao abrigo de tantos destes pensamentos, vir a tornar-se bem-aceite e uma prática corrente. Mas enquanto tal não acontece, por ora, o motivo de preocupação para aqueles que pensam de forma mais tradicional passa por coisas como assistirem impotentes à decisão de um menor em relação à sua condição de género, quando em quase tudo o resto, menos determinante e decisivo para o seu futuro, estão legalmente condicionados. E quem contra este tipo de coisas lutar, evidentemente será carimbado de todo o tipo de rotulagem nada abonatória;


Se alguém defender a instituição casamento sujeita-se à chacota em público, numa espécie e massa humana a uma só voz tentando combater aquilo que consideram como uma praga, olhando para esse alguém como um condenado, vítima de uma espécie de doença letal. Pior será para quem defende ideias que não consinta na supremacia de um género sobre o outro, ou seja, se não defender os homens é feminista, mas se defender é machista, palavras que não são antónimos;


Se se criticar o capitalismo desenfreado de países comunistas como a China, é-se conotado com a extrema-direita, mas se se criticar a arrogância capitalista de países ditos democráticos como os EUA, é-se conotado com a extrema-esquerda. Não tomar partidos, nem defender acerrimamente uma ideologia política, nesta mesma sociedade de hoje, é sinal de que não se sabe o que se quer. Parece que a liberdade começa e acaba somente dentro de uma opção partidária, para além disso é sentido proibido;


Não participar no Carnaval ou no Halloween tornou-se criticável aos olhos de uma grande parte das pessoas autointituladas de muito modernas, as mesmas que obrigam menores a tais hábitos considerando que esse é o caminho da felicidade, ou seja, há que gozar a vida ao máximo desde tenra idade, pois ela é curta, sendo que, incutem ainda nos inocentes, a ideia errada que as outras crianças não participam porque os pais não têm tempo ou dinheiro para os mascararem a rigor;


Quem não opta por viver sozinho é visto como um condenado à infelicidade, pois convencionaram este “modernos”  que só existe uma opção feliz para a coabitação, o “mais vale só que mal acompanhado”, enquanto os outros, os que optam pela outra solução, o “acompanhado e bem” são vistos como utópicos, anulando-lhes uma das mais puras essências da espécie humana, o facto de ser gregária, querendo incutir-se na sociedade a ideia que o homem é uma espécie idêntica ao urso ou ao tigre, que vive isolado, e que somente procura os da sua espécie para matar ou acasalar;


No fundo, todo aquele que ama o próximo, zela pelos valores da vida, gosta da simplicidade das coisas, encara a natureza como ela é, e perante a grandeza dos fenómenos naturais é humilde, não complica, nem quer ir mais além do que vale a pena, aceita as coisas como elas são quando imutáveis, é alguém que não pode sentir outra coisa senão algo como uma arma permanentemente apontada à cabeça!





Pedro Ferreira 2016

(Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)