terça-feira, 14 de julho de 2026

Nemat não é Afonso

Nemat Safavi, não pôde sair da sua terra para assistir ao concerto de Zara Larsson no NOS Alive, tampouco para poderem dançar juntos no palco e receberem aplausos sem fim, não por uma questão de distância, mesmo que Ardabil diste a uma mui superior distância do Passeio Marítimo de Algés, do que dista Braga, mas sim porque está desaparecido algures, presume-se que em território iraniano, quiçá, até, já sem vida, ou na melhor das hipóteses, detido e acorrentado num qualquer buraco daquele imenso país.

Nemat, ao contrário do mais recente jovem herói português, para quem não sabe, nunca pôde ter a liberdade de dançar e de cantar, nem sequer de ser quem é, porque não vive sob as leis de uma democracia, mas sim sobre as leis de uma teocracia radical.

A propósito do momento de felicidade do jovem Afonso, encheram-se páginas e páginas nos diferentes órgãos de comunicação social em Portugal, assim como se deu azo, ao desfile de um rol de comentários para todos os gostos, dos mais agradáveis, à lama e, assim, de um momento para o outro. Afonso, do anonimato passou ao estrelato, reunindo fãs por todo o país e naturalmente muita inveja.

A felicidade, seja de quem for, causa, efetivamente, muita inveja num considerável número de pessoas de mente perturbada, por isso, este momento de palco para Afonso foi amplamente aproveitado por essas mentes para debitarem considerações e insultos menos abonatórios de cariz sexual sobre este jovem, com base numa dedução sobre a sua orientação sexual que, à partida, desconhecem, gerando comentários fortemente homofóbicos.

Felizmente, Afonso vive num país livre – também, muito libertino, a verdade seja dita! – e, de pronto e bem, a nação se levantou em defesa deste jovem: desde o cidadão comum até várias figuras públicas, uma multidão se insurgiu contra esses insultos, condenando-os vivamente, num movimento de forte cobertura mediática e, igualmente, muito bem.

E o Nemat? O Nemat, entretanto, continua desaparecido e ninguém fala dele, simplesmente porque com 16 anos de idade foi condenado à morte ao abrigo do 108.º a 111.º do antigo Código Penal Islâmico do Irão, mais conhecido pelo Lavat, figura penal aplicada a relações sexuais entre homens.

Mesmo que a detenção de Nemat tenha ocorrido em 2006, é apenas um dos muitos exemplos que se poderiam dar de histórias que ainda decorrem de jovens cujo único palco que conheceram foi o terror, simplesmente porque a sua orientação sexual é a que sentem.

Indignação gera indignação! Um dos aspetos que mais sobressai deste espetáculo mediático tendo como protagonista o jovem Afonso é que a indignação cai exatamente sobre a indignação gerada em virtude dos comentários menos agradáveis sobre o Afonso… então, mas em que mundo vivem esses indignados?

Num mundo repleto de histórias como as de Nemat, como de outras, em que jovens e crianças são chacinadas só porque sim, sem dó nem piedade, existem assim tantas pessoas indignadas com os ataques verbais ao Afonso!!!

É caso para perguntar, porque é que o caso do Afonso merece todo este mediatismo e o de Nemat não? Será que existem jovens que são mais gente que outros…

É uma indignação!





Análise Externa



Qualidade literária

Aqui o texto é bastante acima da média.

Feliz particularmente em expressões como: "o único palco que conheceram foi o terror". É uma metáfora muito feliz.

Também funciona: "do anonimato passou ao estrelato". É uma construção simples, mas eficaz.

Há igualmente um bom uso do ritmo através de frases longas interrompidas por perguntas curtas.

Contudo, há um excesso de intensidade. Praticamente todos os parágrafos procuram atingir o ponto máximo da emoção. Quando tudo é intenso... nada sobressai verdadeiramente.

Um ou dois momentos de maior contenção dariam ainda mais força aos restantes.


Originalidade

Um dos pontos mais fortes.

Não é frequente encontrar um texto que ligue um episódio mediático português ao caso de um jovem iraniano desaparecido.

A associação é inesperada e desperta curiosidade.


Impacto emocional

Muito forte. Sobretudo devido ao contraste permanente entre: palco; liberdade; aplauso; prisão; desaparecimento.

É claramente o elemento mais conseguido do texto.


Classificação global: 9,0/10

Considero que este é um dos textos mais fortes que apresentou. O seu principal mérito está em criar uma ligação inesperada entre um acontecimento amplamente mediatizado em Portugal e um caso praticamente desconhecido, levando o leitor a refletir sobre a atenção desigual que diferentes histórias recebem.

As melhorias que mais elevariam o texto seriam sobretudo de lapidação: moderar ligeiramente a intensidade de certas passagens para aumentar o poder persuasivo junto de leitores que não partilhem, à partida, a mesma perspetiva. Essas alterações reforçariam a credibilidade do texto sem diminuir a sua carga emocional.


Pedro Ferreira © 2026
(Todos os Direitos Reservados)









sábado, 6 de junho de 2026

Deixar Partir - Fragmentos d'Alma

Sei que tenho de te deixar partir. O mar voltou a ficar inquieto, vai crescendo a extensão e agressividade das suas ondas e não tarda alcança-nos, levando a parte cujos pés não se fixam na areia. Por vezes, gostaria que fosses árvore, criasses raízes em terra e folhas no ar.

De madrugada levaste-me ao desfiladeiro que medeia a quietude do horizonte que nos separa e a parede rochosa que nos ampara, para aí sentir a angústia da esperança e a segurança da incerteza.

Escrevemos apenas com os lábios mais um episódio intenso das coisas que na nossa alma vão acontecendo, um registo ouvido no céu e silenciado ao ouvido, que quero que leves na bagagem como aquela energia que de mim parte contigo para toda a parte, pois sei que vais precisar na ausência, aquela força para gritares por mim quando as águas do mar aos teus olhos chegarem.

Gravei o teu olhar com a ajuda da Lua e das estrelas e é só com ele que eu quero ficar.


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Análise Externa


Plano Literário

O texto insere-se no domínio da prosa poética de matriz lírica, privilegiando a expressão dos estados de alma em detrimento da ação narrativa. Pedro Ferreira desenvolve uma escrita profundamente imagética, onde a natureza — o mar, a areia, a Lua e as estrelas — funciona como espelho das emoções humanas. A separação amorosa, tema central da obra, é abordada através de símbolos e paradoxos que conferem profundidade ao discurso, como na oposição entre «a angústia da esperança» e «a segurança da incerteza». O conjunto revela unidade estética e uma voz autoral consistente, ainda que a elevada densidade metafórica possa exigir do leitor uma postura mais contemplativa.


Plano Gramatical

A construção linguística apresenta-se sólida e enquadrada no registo culto da língua portuguesa. A sintaxe é elaborada, com períodos extensos e bem articulados, contribuindo para uma cadência quase musical. O uso da pontuação acompanha o ritmo emocional do texto, funcionando não apenas como elemento gramatical, mas também expressivo. Escrita marcada por uma boa seleção vocabular e por um adequado domínio dos recursos estilísticos.


Interesse do Público

Trata-se de uma obra particularmente apelativa para leitores de literatura intimista, prosa poética e textos de reflexão afetiva. A forte carga emocional e a linguagem simbólica favorecem a identificação de um público que procura experiências literárias mais sensoriais do que narrativas. Em contrapartida, a ausência de uma estrutura convencional de enredo poderá afastar leitores que privilegiam uma narrativa mais objetiva e dinâmica. Ainda assim, o texto possui qualidades que o tornam especialmente adequado para publicação em coletâneas literárias ou plataformas dedicadas à divulgação de escrita poética contemporânea.


Conclusão: 8/10

Esta composição evidencia sensibilidade estética, maturidade na construção imagética e coerência entre forma e conteúdo. A escrita de Pedro Ferreira revela capacidade para transformar uma experiência afetiva numa representação simbólica de alcance universal, preservando simultaneamente um tom íntimo e confessional. A sua principal virtude reside na autenticidade emocional e na atmosfera que consegue criar, fazendo da memória e da ausência os verdadeiros protagonistas do texto.


Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O Coração é a Nossa Primeira Casa

Qualquer humano, pela vida fora, vai conhecendo múltiplas casas: em umas vive; noutras apenas entra e sai; e noutras ainda apenas passa.

A primeira casa que habitamos é o coração de quem nos ama — sobretudo de quem nos desejou e nos acolheu aquando da nossa chegada a esta casa comum que é o mundo. É o coração de quem nos ofereceu o colo como primeira casa de afetos e nos garantiu a sobrevivência entre as suas paredes.

O lar que nos acolhe é a alma de qualquer casa. Nele fortalecemos laços e é do seu interior que saímos mais fortes para descobrirmos o mundo repleto de outras casas.

Uma casa como mero espaço físico, sem ser um lar, é, portanto, apenas um espaço vazio, de paredes erguidas, que nos confronta dia e noite com a frieza dos seus materiais.

Não precisamos de formação em engenharia civil, nem de dominar a arte da construção, para edificarmos casas sólidas e confortáveis. Quem tem coração tem sempre uma casa aberta para acolher quem está desabrigado.

Nos conturbados dias que a humanidade atravessa, marcados por desavenças e conflitos de vária natureza e a diferentes escalas, são muitas as pessoas que gostariam de ser abrigadas das intempéries, aconchegadas num lar, confortadas num colo e protegidas entre paredes.

Enquanto não se abrirem mais casas — as suficientes para que ninguém fique de fora —, acreditemos na nossa criatividade e pintemos um lar de múltiplas cores onde caiba a humanidade inteira.


Execução de pintura a Óleo sobre Tela da autoria de Pedro Ferreira

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No passado dia 27 de maio de 2026, procedeu-se ao lançamento da 34ª Edição da Revista “defacto”, pelas 15:30h no Auditório Sebastião Alba da Escola Secundária de Alberto Sampaio em Braga, projeto da autoria da Equipa editorial da Revista “defacto” e da Direção do Agrupamento de Escolas a que pertence o referido equipamento.


Convite


A minha participação neste projeto resulta de um amável convite endereçado pela minha estimada amiga Prf.ª Maria José Teixeira, que me desafiou a escrever um texto sobre o tema deste ano, “A Casa”. De pronto aceitei de bom grado o desafio e aqui com os meus leitores partilho o resultado final, na esperança que seja do inteiro agrado.

Acrescento umas palavras para a mentoria da “defacto” e respetiva continuidade ao longo dos anos, enaltecendo o valioso trabalho aqui desenvolvido, cuja qualidade me parece estar ao nível de muitas outras publicações de âmbito nacional, com um especial destaque para o grafismo, marcado por uma opção monocromática que resultou em pleno, tornando este documento muito apelativo apesar de singelo, destacando-se a brilhante qualidade fotográfica da responsabilidade da Maria José.



"defacto, com tamanha obra desenhada, com voz vida e pessoa!

Que bom teres dito que sim, que bom seres defacto connosco!..."


Prf.ª Maria José Teixeira


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Cerimónia de Lançamento


Prf. João Andrade
(Direção)


Prf.ª Vânia Coutinho
(Edição)


Prf. Jorge Marques
(Edição)


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Análise Externa

O texto apresenta uma reflexão de natureza filosófica e poética sobre o conceito de “casa”, deslocando-o do seu sentido físico para uma dimensão afetiva, simbólica e ética.

Em termos de conteúdo, a ideia central é a distinção entre “casa” como estrutura material e “lar” como espaço emocional.

O autor começa por amplificar a noção de habitar, sugerindo que ao longo da vida o ser humano passa por diferentes “casas”, algumas habitadas de forma plena e outras apenas passageiras:

Esta abordagem inicial estabelece um enquadramento existencial sobre a experiência humana do espaço e da pertença;

Segue-se uma progressiva focalização na primeira “casa” do ser humano: o cuidado parental. Essa casa não é física, mas sim o “coração de quem nos ama”, enfatizando o início de vida como fundamento da sobrevivência e da identidade emocional. Aqui, o texto assume uma dimensão afetiva forte, associando a infância a um espaço de proteção e amor familiar;

A partir daí, o autor constrói uma oposição entre casa e lar. A casa é apresentada como mero espaço físico, potencialmente frio e vazio quando desprovido de vínculos humanos. O lar, por outro lado, é definido como o elemento essencial que dá significado à casa, sendo descrito como o lugar onde se fortalecem laços e de onde o indivíduo ganha força para enfrentar o mundo;

Surge depois uma ideia de acessibilidade moral da construção do lar. O texto defende que não são necessárias competências técnicas para “construir” casas no sentido afetivo, mas sim capacidade humana de acolhimento e empatia. Isto introduz uma dimensão ética: qualquer pessoa com coração pode ser agente de abrigo para outros;

Na parte final, o texto ganha um tom mais social e crítico. Faz referência implícita a contextos de conflito e instabilidade no mundo contemporâneo, sugerindo a existência de muitas pessoas sem abrigo emocional ou físico. O apelo final é coletivo e simbólico: a criação de uma espécie de “lar global”, inclusivo, onde ninguém fique excluído.

Em síntese, trata-se de um texto reflexivo, de linguagem poética e argumentativa, que articula três eixos principais: a construção da identidade através do afeto inicial, a distinção entre espaço físico e espaço emocional, e uma mensagem ética de acolhimento universal.


Linguagem e estilo 

A nível literário e estilístico, o texto constrói-se sobretudo a partir de uma linguagem de natureza poética,  marcada por forte expressividade simbólica, assente na predominância de metáforas, na utilização de antíteses e numa progressiva personificação do conceito de “casa”, que se afasta do seu sentido físico para adquirir uma dimensão afetiva e ética.


Metáforas

As metáforas constituem o recurso dominante, sendo responsáveis pela densidade conceptual do texto:
“Coração de quem nos ama” - O “coração” funciona como metáfora do espaço afetivo de acolhimento, lugar simbólico do amor, cuidado e proteção primária. Confere ao texto uma dimensão intimista.

“Casa comum que é o mundo” - O mundo é conceptualizado como uma casa partilhada pela humanidade. Trata-se de uma metáfora de universalidade e pertença coletiva, reforçando a ideia de interdependência humana.

“Colo como primeira casa de afetos”- O “colo” surge como metáfora do acolhimento primordial, associando-se à segurança, proteção e dependência inicial, conferindo uma tonalidade afetiva e de ternura.

“Lar é a alma de qualquer casa”- O “lar” é elevado a princípio vital  da casa, distinguindo-se da sua dimensão física. A casa surge como estrutura, enquanto o lar representa o elemento invisível que lhe confere significado.

“Casa vazia, de paredes erguidas” - A casa é reduzida à sua materialidade, simbolizando ausência de afeto e de vivência humana. A metáfora acentua a oposição entre espaço físico e espaço emocional.

“Pintemos um lar de múltiplas cores”-  O lar é associado à criação e imaginação coletiva, sugerindo diversidade, inclusão e abertura ao outro.


Antíteses e relações de oposição

As antíteses contribuem para a organização de contrastes fundamentais no texto.

“Entra e sai”-  Sugere movimento oposto dentro de um mesmo espaço, evocando instabilidade e transitoriedade.

"Casa/lar" -  Constitui a antítese estruturante do texto: "casa" como realidade física versus "lar" como realidade afetiva.

“Habitar / apenas passar”- Contraste entre pertença e transitoriedade.

“Dia e noite” - reforça a ideia de que a frieza da casa vazia se impõe de forma permanente, sem interrupção.


Personificação

A casa é apresentada como entidade capaz de acolher ou confrontar, adquirindo características humanas. Este recurso reforça a fusão entre espaço físico e universo emocional.


Campos lexicais

Verifica-se a presença de campos lexicais contrastivos:

Afeto e humanidade: coração, amor, colo, lar, acolher, laços. 

Espaço e construção: casa, paredes, erguidas, abrigo . 

Movimento e experiência: entra, sai, passa, habitar.

Conflito e instabilidade: conturbados, desavenças, conflitos, intempéries. 

O contraste entre estes campos reforça a oposição central entre frieza material e calor humano.


Conclusão estilística:

O texto apresenta um registo claramente poético, com predominância de metáforas conceptuais e uma tonalidade reflexiva e humanista. A expressividade resulta sobretudo da reconfiguração simbólica da “casa”, que deixa de ser entendida como espaço físico para se afirmar como construção afetiva e ética, constituindo-se como símbolo da condição humana e da necessidade universal de acolhimento.

Casimira Faria
(Professora de Português e Literatura Portuguesa)




Pedro Ferreira © 2026
(Todos os Direitos Reservados)

quinta-feira, 26 de março de 2026

Silêncio Farto

Aquele silêncio que é o motivo da minha fome,
é o mesmo silêncio que me enfarta.
Vivo permanentemente nesta dúvida que me consome,
não consigo decidir entre o que se acolhe e o que se descarta.

Vou partir nesta noite ao ritmo do seu único som,
deixando para trás o meu sangue vertido.
Nunca inverto a marcha, mesmo que à frente o negro seja o tom,
o passado já não faz sentido.

Regressarei pela manhã para enfrentar o ruído,
reencontro sempre o meu espaço espartilhado.
Tudo parece retornar, por momentos, ao que já foi vivido,
mero desconforto ilusório de um sonho falhado.

Um dia o caminho será outro e o sangue verterá novamente,
na esperança que não se perca nem mais uma gota.
Só quero estar sempre presente,
ou quando o silêncio se esconde ou quando se revolta.


Análise Externa


Plano gramatical

O texto revela bom domínio da língua, com construção sintática cuidada e coerente. A alternância entre presente e futuro é eficaz na criação de continuidade emocional e projeção existencial. A pontuação contribui para o ritmo, embora, em alguns momentos, a densidade das orações torne a leitura ligeiramente pesada.

Avaliação: sólida e competente, com ligeira perda de fluidez pontual.

 

Plano literário

Trata-se de um poema lírico consistente, com unidade temática bem definida e exploração eficaz da dualidade (silêncio, dor, repetição). O uso de metáforas é pertinente e coerente, embora assente em imagens relativamente comuns (silêncio, sangue, noite), o que reduz alguma originalidade.

O maior mérito está na coerência emocional e simbólica e na construção de uma sensação cíclica. Ainda assim, poderia ganhar força com imagens mais inesperadas ou maior risco estilístico.

Avaliação: expressivo e consistente, mas com margem para maior originalidade.

 

Interesse do público

O poema tem boa capacidade de identificação junto de leitores com sensibilidade introspetiva, beneficiando de uma linguagem acessível e musicalidade agradável. Contudo, a densidade temática e o tom uniforme podem limitar o impacto junto de um público mais amplo.

Avaliação: apelativo para nicho reflexivo; menos universal em termos de impacto imediato.

 

Nota final: 7,5 / 10



Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados)

quinta-feira, 5 de março de 2026

UMA GUERRA NÃO COMEÇA COM O PRIMEIRO TIRO, MAS SIM COM A PRIMEIRA PALAVRA

Se algures consta escrito, ou é dito que outrem deve morrer, é nesse exato momento que a guerra começa. Curiosamente, numa guerra poderá não ser disparado um único tiro. O contrário não ocorre: a cada tiro sempre antecede uma palavra.

Porém, a ideia corrente parece indicar o contrário: que uma guerra só se inicia com o arremesso de algo letal direcionado ao alvo. Contudo, a palavra, também, é direcionável para um alvo, mas enquanto o arremesso de algo físico sai sem a certeza de atingir o alvo, a palavra acerta sempre.

Por outro lado, o arsenal bélico é limitado, enquanto as palavras não têm limites.

A palavra pode ser uma arma letal quando mal usada, de tal forma que consegue produzir destruição em massa.

Muitas pessoas – felizmente, a maioria – não sabem o que é viver com um aviso colado à porta de sua casa com a palavra “Morte”. Por isso, vivem confortáveis o seu dia a dia e não sabem o que é a guerra… e que bom que assim é! Porque assim é que deve ser.

Contudo, milhões de outras pessoas, nasceram com esse mesmo aviso colado no berçário. É-lhes, literalmente, sentenciada a morte à nascença. E essas pessoas, crescem sob a espada desse aviso, impulsionadas a sobreviverem à custa de múltiplos mecanismos de defesa.

Em virtude disso, é natural que as primeiras não entendam o modo de agir das segundas, pois suas vidas não são penosas e falam do alto da liberdade – geralmente com a natural arrogância de quem ignora a causa alheia. De uma arrogância tal que pressupõe que nem todo o ser que é ameaçado deve ter direito à sua autodefesa. Claro está que este raciocínio folgado, sessa no exato momento em que um aviso semelhante é colado à porta de quem falou demais. Aí o discurso muda radicalmente.

De forma escrita, falada ou reiterada, a palavra “Morte” – dirigida aos “infiéis”, aos negros, aos cristãos, aos homossexuais, ou a qualquer outro – é sempre uma declaração de guerra, aparecendo em muitas atas, cartas, estatutos e documentos similares, ou simplesmente ou simplesmente proferida verbalmente.

Perante este cenário, onde existe fundamento válido para se condenar alguém, ou um grupo, um povo inteiro, uma nação por se defender… espera-se que sejam mortos? Não será isso cumplicidade perante um crime!

É evidente que qualquer humano tem direito à sua defesa, consta da Carta Universal dos Direitos Humanos. Porém, quando o mesmo direito é colocado em prática, parece que meio mundo se vira contra o outro, invertendo-se papeis, em que o ameaçado passa rapidamente para o papel de ameaçador e vice-versa. Não se entende!

Antes da palavra que inicia a guerra, existe aquela que garante a paz; e essa palavra, entre tantas, pode ser “respeito”. Respeito pela diferença e pelo direito à existência, porque existe lugar neste mundo para todas as crenças e ideologias que preservem a condição humana.

Retirem as armas escritas nos documentos oficiais, tratados e manuais escolares de algumas nações, condenem judicialmente quem as profere e depois constatem se algum tiro será disparado…


 


ANÁLISE EXTERNA

 

Análise Gramatical

Gramaticalmente correto, claro e coeso; ajustes restantes são apenas estilísticos…


Análise Literária

Metáforas poderosas (“palavra como arma”), ritmo variado, tom reflexivo e dramático, crescendo do conceito à ética.

Texto forte, poético e reflexivo, com alto valor literário.


Avaliação de Interesse do Público

Potencial interesse para os leitores de filosofia, ética, direitos humanos, jornalismo e reflexão social. Alta provocação intelectual; relevante para debates sobre discurso de ódio, violência simbólica e conflitos atuais. 

Texto oportuno e atual, com potencial para circular em nichos críticos e acadêmicos.


9 (de 0 a 10)


Pedro Ferreira © 2026
(Todos os Direitos Reservados)

 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Quem é o Pedro, Afinal de Contas... - Parte 16

E de ciclo em ciclo se vai completando a vida.

Acreditava que o anterior, seria longo, pautado por menor agitação, numa espécie de chegada tardia à idade em que ao serão já se pode usufruir do conforto do sofá e do sabor de uma bebida. Porém, têm existido ciclos e ciclos, como se fossem portas que vou passando e deixando entreabertas atrás de mim, para dar lugar a novos corredores cujo comprimento não consigo antever e pelos quais caminho sem poder calcular em qual dos seguintes passos encontrarei a próxima porta. Este corredor, contra as expectativas iniciais, revelou-se de curta distância e aqui estou, mais cedo do que aquilo que imaginava, a passar mais uma dessas portas e a entrar num novo ciclo.

Neste hiato, descobri que a vida sempre decorre, mesmo que a tentemos travar, pois é ela que nos domina e não nós que a dominamos. Vida é sangue a correr nas veias. O sangue tem o seu ritmo, umas vezes mais apressado, outras mais vagaroso, mas é ele que nos conduz.

Nesse pulsar da vida, hoje em dia, neste novo ciclo, apercebo-me do seguinte:

Aquilo que, até então, decorria em excesso de velocidade, agora “sopra” como uma leve brisa, assim como, aquilo que decorria a passo, agora “rodopia” com inquietude, numa clara aproximação ao equilíbrio do tempo;

Aquilo que, até então, era dado como garantido, agora “salpica-se” com nuances de incerteza, assim como, aquilo que se revestia de uma dúvida constante, agora “pinta-se” de uma considerável camada de certeza, numa clara aproximação ao equilíbrio da consciência;

Aquilo que, até então, era tido como um ideal, agora “despe-se” de folhas caducas, assim como, aquilo que era tido como impensável, agora “veste-se” de folhas de esperança, numa clara aproximação ao equilíbrio da compreensão;

Aquilo que, até então, estava assimilado, agora “mergulha” na penumbra do desconhecimento, assim como, aquilo que era desconhecido, agora “descomprime” na ténue luz do amanhecer, numa clara aproximação ao equilíbrio do conhecimento;

Aquilo que, até então, sentia intensamente, agora “polvilha-se” de vagens de incerteza, assim como, aquilo que se revestia de uma dúvida constante, agora “recheia-se” de uma cesta cheia de certezas, numa clara aproximação ao equilíbrio do espaço;

Quantas aproximações ao equilíbrio, mais aqui caberiam…, muitas certamente!

Talvez, tudo isto se resuma a uma simples entrada na fase da vida em que os extremos se tocam para formarem um circulo que se fecha em torno de mim, onde deva permanecer doravante, levando a vida à medida do adquirido, aquilo que sempre me pareceu tanto, mas que se resume somente àquilo a que poderei apelidar de meu.

Restaram-me, portanto, as minhas pessoas, aquelas que ainda se mantêm comigo de “ramos” dados quer nas quedas do outono, quer no arrefecimento do inverno, quer no renascer da primavera, ou no brilho do verão.

As coisas, essas, vão perdendo cada vez mais o seu valor. Enquanto me são úteis nos seus serviços mínimos, ainda me vão fazendo algum sentido, mas tantas outras, já encostadas, quiçá aquelas que outrora tanto desejamos ter, perderam todo o seu sentido e, mais dia menos dia, voltam a ser apenas coisas.

Entro neste novo ciclo numa altura da história da humanidade em que as pessoas estão a preferir as máquinas para conversar e os animais para amar. Fui obrigado a concluir que sou um ser-humano apenas, por isso não granjeio qualquer preferência na sociedade atual, fui preterido porque não nasci máquina nem animal de estimação.

Por estas e outras, no “corredor” que ora termina, voltei a ter aquela arrepiante sensação que vou caminhando cada vez mais desacompanhado. Vão ficando para trás as pessoas para darem lugar ao vazio, mesmo aquelas que noutros “corredores” mais longínquos, preenchiam todo o espaço e ocupavam todo o tempo…, provavelmente, já não correrão para me alcançarem mais adiante. Ficaram definitivamente para trás e de algumas nem o eco voltarei a ouvir.

A vida tem de seguir, nesta constante seleção natural de humanos, em que só quem me ama passará comigo por todas as portas que ainda me possam restar para atravessar.

Continua...




Pedro Ferreira © 2025
(Todos os Direitos Reservados)

Quem é o Pedro, Afinal de Contas... - Parte 15

E assim termina mais um ciclo e se abre outro.

Chegado aos meus 57 anos de vida, continuo a fazer questão de me dar a conhecer ao mundo, pois com o avançar da idade cimento, cada vez mais, a ideia que tenho de que se não for eu a fazê-lo, outras pessoas tentarão fazê-lo por mim e de múltiplas formas, nenhuma delas credível, não fossemos nós humanos, o principal alvo da curiosidade de outros humanos.

O ciclo que ora se encerra, também, à semelhança de muitos outros, teve momentos menos bons, por nele terem decorrido acontecimentos que me ultrapassam e os quais não estão ao meu alcance evitar, nomeadamente a perda da vida de quem me era próximo, assim como, igualmente, continua a não me ser possível acabar com a maldade que impera no mundo.

Mas, graças a Deus, tudo se superou com muita elegância e sabedoria, colocando cada peça no seu devido lugar e os sucessos acabaram por brotar, nomeadamente o pleno nos estudos dos meus filhos nos seus respetivos patamares, assim como a evolução da sua maturidade de fazer inveja a muitas pessoas com bastante mais idade e que, infelizmente, teimam em manterem-se como meras crianças mimadas.

Como entro num novo ciclo repleto de coisas boas, já podendo provar da sementeira à qual me dediquei durante longos anos, desta feita, gostaria de convosco partilhar acima de tudo esperança, mas, não total, apenas focada nesse meu mundo que fiz questão de criar e onde habito com muito gosto, lamentando, portanto, não poder ser uma esperança extensível a um mundo alargado, pois as evidências estão aí, por via das desgraças que ocorrem nos seus diferentes cantos.

Gostaria, mesmo assim, do meu mundo para fora, continuar a poder levar um pouco de mim, fazendo jus ao único propósito que me deu vida, ou seja, dar amor a quem o quiser receber, de preferência renovando o meu investimento afetivo nas crianças carenciadas, assim mo permitam, porque, infelizmente, o seu número, ao contrário do que seria suposto na tão apregoada evolução da humanidade, tem aumentado exponencialmente, perigando ainda mais a sobrevivência da própria espécie.

Podemos, pois, ainda na minha geração assistir ao fim deste mundo, pelo menos conforme o conhecemos, mas não quererei levar comigo quaisquer remorsos, ou arrependimento de não ter feito absolutamente nada para o tentar evitar, quando existe tanto ao alcance de qualquer um/a de nós para o fazer. O problema é que continuamos a ser muito poucos e poucas nessa nobre missão – repito, a única que nos trouxe a este planeta – lutando contra uma massa humana muito maior que, em sentido contrário, tudo faz para o fim da nossa existência.

Pretendo agarrar-me firmemente a este meu canto que tanto me custou a construir, contra tantas criaturas perversas que o tentaram destruir. Agora um ponto de partida para todo esse mais que ainda possa fazer por essa causa maior que é assegurar a vida na Terra.

Doravante, já não me acompanharão pensamentos que me transportam para a realização de ideais de vida que dependam de outras pessoas, porque a falsidade está latente e criar expetativas no sentido de poder contar com outrem, é coisa do passado, superado e cimentado como lição de vida em virtude das consideráveis deceções a que fui obrigado a assistir.

Não quero com isto dizer que perante mim todo e qualquer semelhante se tornou um ser não confiável, bem pelo contrário, continuo a viver muito bem com o meu lema que me diz que até prova em contrário todas as pessoas são merecedoras de confiança. Porém, desta feita, com uma nuance considerável, determinante e terminante, que essa prova tem de ser dada no primeiro segundo e não se tornar, como era dantes, numa eterna espera infundada. Por isso, nos últimos tempos, algumas pessoas já devem ter acusado esta minha nova forma de encarar as relações humanas e mesmo que não tenham percebido porque logo cedo perdi o meu interesse por elas, é porque, efetivamente, a minha sensibilidade tornou-se muito mais apurada que, ao mínimo sinal, algo me diz que determinada pessoa não é para entrar na minha vida, ou não é para nela permanecer. Não me tornei exigente demais, simplesmente comecei a ouvir a minha fé.

Agora, com outra clarividência, consigo olhar para trás e ver bem melhor o que realmente correu menos bem e que, talvez, a experiência de vida entretanto adquirida, provavelmente me teria poupado de passar por isso. Mas o que é a vida, senão isto mesmo, crescer com as más experiências, aprendendo com elas a separar o trigo do joio…

Independentemente de tudo isto, constato agora que o próprio curso natural da vida, acabou por colocar cada peça no seu devido lugar e é tudo tão simples quanto isto. Fazer a nossa parte, sempre! Mas nunca tentar forçar ninguém a ser boa pessoa, simplesmente afastarmo-nos quando do outro lado a intenção não é essa.

Por isso, chego a este momento da minha própria evolução como ser-humano e observo em meu redor um considerável número de boas almas e é com apenas essas que faço questão de continuar a usufruir da nossa maior riqueza, a vida.

Continua...



Pedro Ferreira © 2025
(Todos os Direitos Reservados)

sábado, 1 de novembro de 2025

O MEU CAMINHO

Continuo a caminhar pelo mundo em busca do melhor lugar, no melhor tempo.

Uma tarefa sem fim, entre gentes que me engrandecem a quem devo a qualidade da minha existência.

É por vós seres-humanos que vivo e não por mim, porque um dia partirei e vocês por cá continuarão a usufruir da minha modesta contribuição para um mundo melhor.

Porém, enquanto Deus assim mo permite, continuo nesse caminho de mãos dadas com a vida, com uma seguro-vos, com a outra vos sirvo.

De que adianta passar no mundo se não for desta forma? Assim dou sentido à vida e à existência dos seres.

Não sou fácil de entender no contexto atual, que é dominado pelo excesso de interesse nas coisas e escassez de interesse nas pessoas, porque vou em sentido contrário, esvaziando-me de coisas e preenchendo-me de calor humano.

Não me tentem catalogar, simplesmente perguntem de onde venho e para onde vou, porque sobre mim, somente eu posso responder. E a resposta é: venho do amor e para lá retorno!




Pedro Ferreira © 2023
(Todos os Direitos Reservados)

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

QUANDO CERTAS PESSOAS JÁ NÃO FAZEM PARTE DA NOSSA VIDA

Por estes dias, duas pessoas que diria serem de luz – é luz que nelas vejo – disseram-me, por mera casualidade algumas coisas que me fizeram muito sentido – quiçá mensageiras da boa palavra -, pelo facto de me ajudarem a entender, um pouco melhor, a vida na Terra e a interação entre os humanos.

Desses sábios dizeres, realço frases como: “quando alguém nos estiver a tirar a paz, é chegado o momento de partir”; ou, “não devemos recear as ruturas com as pessoas que até então nos eram próximas, as ruturas fazem parte do nosso caminho, significa que o seu papel na nossa vida está cumprido.”

Disseram-me, ainda, sobre mim, que tenho uma missão muito específica na vida das pessoas que encontro pelo caminho e que, por vezes, tenho de ser eu a sair porque a minha missão está cumprida.

Sobre essa minha missão, dizem tratar-se de um elo de ligação entre o mundo terreno e o espiritual, no fundo, uma missão de amor. Agregador de pedaços humanos que se estilhaçaram a páginas tantas pelas vicissitudes, ou devaneios, não os ajudando a apanhar esses pedaços que se espalharam pelo chão no desmontar do edifício mal construído que havia e si mesmos, mas ajudando-os a coloca-los nos seus devidos lugares.

“Alguém que veio para servir, inspirar e deixar um legado de amor ou consciência”, é muito agradável de ouvir, sem dúvida! Porém, “cansado de dar sem receber” é o elevado preço que se pode pagar mais adiante e isso não é nada agradável de ouvir, muito menos de comprovar.

Nem sempre quem parte da nossa vida é por uma triste fatalidade, sejam familiares, ou amizades, por vezes, partem porque perto de nós já nada estão a fazer e então, devem, efetivamente, partir e isso não devemos recear, por mais fortes que sejam os laços afetivos.

Tudo isto parece ser muito racional, frio até. Contudo, a paz que advém destas decisões, confirmam que foram as corretas e no fim ambas as partes acabam por encontrar novos rumos e novas gentes, em novas missões.

Amar fará sempre parte. Será apenas o amor a precisar de descansar depois de tanto se dar, para recomeçar mais adiante noutras paragens, com mais vigor ainda.


Pedro Ferreira © 2025
(Todos os Direitos Reservados)

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

CRÓNICAS DE UM DIA ANUNCIADO – 20251006

Conforme previsto, os “heróis e heroínas de além mar”, depois de “terem sido vítimas de violentas agressões por parte do inimigo, sujeitas a condições desumanas em jaulas como animais, infestadas de percevejos e sob privação de alimentos e de água”, regressaram para os “braços das suas mães” com um feliz sorriso estampado no rosto, trajando de branco cálido e fresco, símbolo de paz, após uma árdua missão de espalhafato para que o mediterrâneo se transformasse numa corrente de lágrimas que desagua nos telejornais e nas manchetes da imprensa internacional.

Missão cumprida com sucesso, mesmo que de porões vazios de ajuda humanitária, baixa-se o pano da comédia e regressa-se aos assuntos sérios…

Quem acredita nos planos de paz de Trump para o Medio Oriente, provavelmente deverá, acreditar, também, que nos EUA se vivem momentos de paz…, nada de armas e sangue nas ruas, certo?

E sério mesmo, são as crianças e população civil em geral, que por mais que de paz se fale nas poltronas do poder psicopático dominante, as suas vidas continuam a valer zero para estes senhores da guerra, encurraladas entre o sabre dos terroristas e as balas dos vingadores, bem longe da ajuda humanitária amplamente promovida nas campanhas marítimas da trupe caviar.

Até parece que aquilo que se passa na Ucrânia, bem mais fácil de resolver que aquilo que se passa no Medio Oriente, não é suficiente para despertar consciências para a realidade e, de uma vez por todas, a comunidade internacional, pelo menos a ala ainda considerada civilizada, tomar consciência que quanto mais a palavra “paz” é proferida em terras longínquas de Mac Donalds, mais guerra sobrevem e mais duradoura se torna.

O Prémio Nobel está quase garantido para um dos Senhores das Armas, mas a confirmar-se, será apenas uma passagem, pois, objetivo alcançado, venha de lá mais guerra, porque essa é que é um bom investimento, dá lucro aos magnatas do comércio internacional, não fosse exemplo disso, o mais descarado de todos, os avultados lucros da Gasprom, o maior financiador das bombas que caem sobre a população civil ucraniana (12,45 mil milhões de Euros em 2024).

Ucrânia, Iémen, Congo e outros país onde milhares de inocentes são literalmente chacinados por essas marcas de renome internacional, também, têm costa marítima onde as flotilhas podem aportar. Porém, parece que tais embarcações da Cyber Neptune desconhecem as respetivas rotas, talvez porque os seus instrumentos de navegação já venham pré programados como ponto de partida e ponto de chegada os mais de 400 km de túneis de Gaza.

E já agora, neste contexto geopolítico, será de perguntar e a Europa, onde fica e o que por lá acontece neste momento que nada se vê de concreto… será que ainda estão a discutir entre corredores viciados de lóbis e interesses as próximas inofensivas e ridículas sanções à Rússia, enquanto cantam “anda comigo ver os aviões…”e drones russos a passarem sobre as suas cabeças, até que um dia um deles lhes caia encima para depois tomarem uma medida drástica e dura, do tipo, “condenar por unanimidade”?

E nada como terminar a crónica de mais um dia anunciado, com um pré-anuncio de há muito tempo, a condecoração de mais um terrorista, desta feita Ramzan Kadyrov, cooperante na chacina de mais de 12 000 cidadãos inocentes, de entre os quais perto de 700 crianças… quem sabe, com os exemplos dos últimos dias, o terrorismo passa a ser um investimento ainda mais compensador que a guerra, o gás, ou o petróleo…




Pedro Ferreira © 2025
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