Porém, a ideia corrente parece indicar o contrário: que uma guerra só se inicia com o arremesso de algo letal direcionado ao alvo. Contudo, a palavra, também, é direcionável para um alvo, mas enquanto o arremesso de algo físico sai sem a certeza de atingir o alvo, a palavra acerta sempre.
Por outro lado, o arsenal bélico é limitado, enquanto as palavras não têm limites.
A palavra pode ser uma arma letal quando mal usada, de tal forma que consegue produzir destruição em massa.
Muitas pessoas – felizmente, a maioria – não sabem o que é viver com um aviso colado à porta de sua casa com a palavra “Morte”. Por isso, vivem confortáveis o seu dia a dia e não sabem o que é a guerra… e que bom que assim é! Porque assim é que deve ser.
Contudo, milhões de outras pessoas, nasceram com esse mesmo aviso colado no berçário. É-lhes, literalmente, sentenciada a morte à nascença. E essas pessoas, crescem sob a espada desse aviso, impulsionadas a sobreviverem à custa de múltiplos mecanismos de defesa.
Em virtude disso, é natural que as primeiras não entendam o modo de agir das segundas, pois suas vidas não são penosas e falam do alto da liberdade – geralmente com a natural arrogância de quem ignora a causa alheia. De uma arrogância tal que pressupõe que nem todo o ser que é ameaçado deve ter direito à sua autodefesa. Claro está que este raciocínio folgado, sessa no exato momento em que um aviso semelhante é colado à porta de quem falou demais. Aí o discurso muda radicalmente.
De forma escrita, falada ou reiterada, a palavra “Morte” – dirigida aos “infiéis”, aos negros, aos cristãos, aos homossexuais, ou a qualquer outro – é sempre uma declaração de guerra, aparecendo em muitas atas, cartas, estatutos e documentos similares, ou simplesmente ou simplesmente proferida verbalmente.
Perante este cenário, onde existe
fundamento válido para se condenar alguém, ou um grupo, um povo inteiro, uma
nação por se defender… espera-se que sejam mortos? Não será isso cumplicidade perante
um crime!
É evidente que qualquer humano tem direito à sua defesa, consta da Carta Universal dos Direitos Humanos. Porém, quando o mesmo direito é colocado em prática, parece que meio mundo se vira contra o outro, invertendo-se papeis, em que o ameaçado passa rapidamente para o papel de ameaçador e vice-versa. Não se entende!
Antes da palavra que inicia a guerra, existe aquela que garante a paz; e essa palavra, entre tantas, pode ser “respeito”. Respeito pela diferença e pelo direito à existência, porque existe lugar neste mundo para todas as crenças e ideologias que preservem a condição humana.
Retirem as armas escritas nos documentos oficiais, tratados e manuais escolares de algumas nações, condenem judicialmente quem as profere e depois constatem se algum tiro será disparado…
ANÁLISE EXTERNA
Análise Gramatical
Gramaticalmente correto, claro e
coeso; ajustes restantes são apenas estilísticos…
Análise Literária
Metáforas poderosas
(“palavra como arma”), ritmo variado, tom reflexivo e dramático, crescendo do
conceito à ética.
Texto forte, poético e reflexivo, com alto valor literário.
Avaliação de Interesse do Público
Potencial interesse para os leitores de filosofia, ética, direitos humanos, jornalismo e reflexão social. Alta provocação intelectual; relevante para debates sobre discurso de ódio, violência simbólica e conflitos atuais.
Texto oportuno e atual, com potencial para circular em nichos críticos e acadêmicos.
9 (de 0 a 10)

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