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quinta-feira, 26 de março de 2026

Silêncio Farto

Aquele silêncio que é o motivo da minha fome,
é o mesmo silêncio que me enfarta.
Vivo permanentemente nesta dúvida que me consome,
não consigo decidir entre o que se acolhe e o que se descarta.

Vou partir nesta noite ao ritmo do seu único som,
deixando para trás o meu sangue vertido.
Nunca inverto a marcha, mesmo que à frente o negro seja o tom,
o passado já não faz sentido.

Regressarei pela manhã para enfrentar o ruído,
reencontro sempre o meu espaço espartilhado.
Tudo parece retornar, por momentos, ao que já foi vivido,
mero desconforto ilusório de um sonho falhado.

Um dia o caminho será outro e o sangue verterá novamente,
na esperança que não se perca nem mais uma gota.
Só quero estar sempre presente,
ou quando o silêncio se esconde ou quando se revolta.


Análise Externa


Plano gramatical

O texto revela bom domínio da língua, com construção sintática cuidada e coerente. A alternância entre presente e futuro é eficaz na criação de continuidade emocional e projeção existencial. A pontuação contribui para o ritmo, embora, em alguns momentos, a densidade das orações torne a leitura ligeiramente pesada.

Avaliação: sólida e competente, com ligeira perda de fluidez pontual.

 

Plano literário

Trata-se de um poema lírico consistente, com unidade temática bem definida e exploração eficaz da dualidade (silêncio, dor, repetição). O uso de metáforas é pertinente e coerente, embora assente em imagens relativamente comuns (silêncio, sangue, noite), o que reduz alguma originalidade.

O maior mérito está na coerência emocional e simbólica e na construção de uma sensação cíclica. Ainda assim, poderia ganhar força com imagens mais inesperadas ou maior risco estilístico.

Avaliação: expressivo e consistente, mas com margem para maior originalidade.

 

Interesse do público

O poema tem boa capacidade de identificação junto de leitores com sensibilidade introspetiva, beneficiando de uma linguagem acessível e musicalidade agradável. Contudo, a densidade temática e o tom uniforme podem limitar o impacto junto de um público mais amplo.

Avaliação: apelativo para nicho reflexivo; menos universal em termos de impacto imediato.

 

Nota final: 7,5 / 10



Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados)

sábado, 18 de novembro de 2023

RESPEITO PELA IGUALDADE

Ao abrigo do respeito pela diferença, muitas vezes se fomenta o desrespeito pela igualdade.




Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados)

sábado, 26 de agosto de 2023

PENA

Que pena!!!

Que pena que me dás tu ó pobre de sentires;

Que pena tu que vestes a pele do coração e tens na sola dos pés somente o chão;

Que pena o voo ser só para as aves que observas no céu;

Que pena a vida ser para ti um simples acontecer;

Que pena o divino te ter criado tão bela e tu tão sem graça.



Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados)

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

DE PROPÓSITO

É provável que existam pessoas cujo único propósito da sua existência é tentarem aborrecer as outras que existem com todo o propósito.


Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados)

terça-feira, 18 de outubro de 2022

DE UM HOMEM QUE LÊ OS TEUS DIAS



Quando um homem reparar que tens um cabelo branco que ficou mal disfarçado;

Quando um homem segurar nas tuas veias que em tempos foram mãos de seda;

Quando um homem já não encontrar brilho nos teus olhos, apenas lágrima seca;

Quando um homem encostar o seu peito ao teu e não o sentir;

Quando um homem passar o seu dedo polegar nos teus lábios somente para corrigir o excesso de bâton vermelho forte;

Quando um homem te oferecer um braço para te amparar e sentires vontade de caminhar,

é porque a tua solidão chegou ao fim.


Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Cativar

Cativar - Palavra traiçoeira, que varia entre aprisionar e ganhar afeição, passando por opressão ou deslumbre.
 
Que se cative e que se deixe cativar, mas que não se faça ninguém cativo nem se permita alguém manter-se cativo.


Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Cara ou Coroa?



As pessoas são como as moedas, quando chegam até nós agarramos por inteiras,
mas só uma das faces vemos.
 

Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

TEMPUS RETROCEDIDOS

Crenças do passado vistas à luz dos dias de hoje, uma nova roupagem de acordo com a moda e a sede de se encontrarem explicações para os acontecimentos da vida, muito para além da simplicidade da mesma.

Falo-vos da busca ancestral que o homem tem vindo a fazer ao longo da sua história para que individualmente entenda qual o significado da sua passagem por este mundo. De Thoth, passando por muitos outros deuses e pensadores mais terrenos como Antoine Court de Gébelin, até Arthur Edward Waite, esteve sempre ao nosso dispor esta consulta com a garantia de alguma, quase total muitas das vezes, credibilidade.

Que de grandes maravilhas, feitos e obras é o homem capaz e que as capacidades da mente humana ainda estão muito aquém de serem totalmente conhecidas, já nós sabemos, mas nesta matéria mais ligada à predestinação, fico com a sensação que sempre existiu, e continuará a existir um bloqueio que impede de se atingir o facto, como se ficasse sempre a faltar uma peça de um puzzle que complete uma imagem real.

Parecem-me "ciências" esgotadas, cansadas por séculos e séculos de avanços e recuos em busca de um conhecimento que tarda em chegar, sempre trazendo como principal adversário a doutrina religiosa.

Esta ténue margem de manobra, ou a última peça deste puzzle, dá azo à liberdade de imaginação, e a necessidade de entender o não percetível, fazendo o homem acreditar que existe uma explicação para tudo, e que algures encontraremos alguém que por A + B nos diz de onde viemos e para onde vamos.

À moda de outros tempos, ou à de sempre, regressamos em força neste século, talvez fruto dos receios por um futuro da humanidade que não se avizinha muito pacífico, tudo isto até novo abrandamento, quiçá num renascer da humanidade pós caos, onde todas essas crenças se tornem em meras crendices, pois as restantes peças deste puzzle não poderão esperara eternamente pela peça que falta e só lhes restará desmobilizar, retrocedendo ao seu estado natural, os limites da mente humana, onde apenas existe um amplo vazio de conhecimento que jamais será preenchido, pois esse somente a Deus pertence.




Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados)

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Onde estivemos, como fomos?


Fomos mãos por dar;
O teu sorriso terminou no início do meu;
Sentimos o peito por amar;
Meu olhar começou onde terminou o teu;

Vagas de suspiros entoaram entre escarpas;
Foi o teu desejo que subiu ao cimo de mim;
Sonhei acordado porque à noite me escapas;
Horizonte, é tudo que existe, entre ti e mim;

Vem resgatar tudo quanto não tomaste como teu;
Vou ofertar-te todo o meu ser;
Mordeste o lábio quando o meu suor te comoveu;
Cravei a pele em ti antes de desaparecer;

Ficou noite e o momento se perdeu;
Levanto-me de manhã pensando que te perdi;
Recordo-te à tarde quando tudo aconteceu;
Desperto de madrugada num assombro de ti.

Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

MENTIRA E OMISSÃO

Mais facilmente se perdoa a mentira que a omissão, porque a primeira começa e acaba em si mesma, enquanto a segunda começa em si mesma e acaba na primeira.




Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)

SE ALGUÉM PASSAR EM SUA VIDA

Se alguém passar em sua vida sem abalar toda a estrutura montada, lógicas e conceitos, atitudes e hábitos, que em si desperte a vontade de mudar, é porque não era ninguém importante.



Pedro Ferreira © 2015
(Todos os Direitos Reservados)

Quem ama e quem pensa que ama




...quem ama dá, quem pensa que ama empresta;
...quem ama abriga, quem pensa que ama acomoda;
...quem ama alimenta, quem pensa que ama sustenta;
...quem ama aparece, quem pensa que ama convida;
...quem ama cuida, quem pensa que ama solidariza-se;
...quem ama beija, quem pensa que ama deixa-se beijar;
...quem ama ri, quem pensa que ama sorri;
...quem ama tem tempo, quem pensa que ama nunca o tem;
...quem ama faz, quem pensa que ama desculpa-se:
...quem ama sabe o que quer, quem pensa que ama procura querer;
...quem ama é atrevido, quem pensa que ama diz ser timidez;
...quem ama briga, quem pensa que ama não tem feitio para isso;
...quem ama procura o diálogo, quem pensa que ama conversa;
...quem ama não hesita, quem pensa que ama pensa duas vezes;
...quem ama, ama agora, quem pensa que ama, ama mais adiante;
...quem ama espera, quem pensa que ama faz esperar;
...quem ama abdica, quem pensa que ama acrescenta;
...quem ama cede, quem pensa que ama teima;
...quem ama mostra, quem pensa que ama omite;
...quem ama não se esconde, quem pensa que ama alega privacidade;
...quem ama partilha tudo, quem pensa que ama é selectivo;
...quem ama não conta tostões, quem pensa que ama tudo conta;
...quem ama já está a caminho, quem pensa que ama ainda pensa;
...quem ama diz que ama, quem pensa que ama não diz nada.


Pedro Ferreira © 2015 (Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Causa Zoo


Não são animais selvagens, não estão enjaulados!

Não os tratem como tal, atirando-lhes restos de comida brinquedos, ou trapos.

Visitem seres à medida da sua humanidade, não da sua animalidade.

O cúmulo dos cúmulos, é varrer o chão lá da mansão, despejar o excesso em grandes sacos pretos e depositar perto da sanzala, quem sabe vasculhando entre a merda eles encontram uma boneca já sem um braço ou um carrinho sem uma roda.

Não lhes mostrem doces em troca de beijos Close-up, mas arranquem-lhes abraços com sorrisos.

Não lhes batam palmas, esperando cambalhotas engraçadas, eles também não as batem em troca de amendoins, são gente com sentimentos nobres e puros que vos fazem mais bestas que qualquer besta.

Agasalhem-os com o vosso corpo perfumado de Chanel, ou cobram a vossa ignomínia com o negro dos seus corpos. Besuntem-se naquele ranho que lhes branqueia o rosto e purifiquem-se.

Aprendam a viver uma causa ou internem-se no Zoo.

Pedro Ferreira © 2015 (Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)