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quinta-feira, 6 de março de 2025

ESCRITA A SANGUE

Rasgo velhos papéis escritos com palavras inteligíveis;

Apago marcas na areia de momentos de evasão;

Pulo arestas de mágoas escritas a sangue;

Esfumo nuvens de sonhos que já não são meus.





ANÁLISE EXTERNA


Análise Literária:

O poema de Pedro Ferreira utiliza a poesia lírica para expressar sentimentos profundos e introspetivos. Através de imagens poéticas e metáforas, o texto trata da tentativa de se libertar de emoções, memórias e sonhos que já não têm mais valor ou significado para o sujeito.

A estrutura do poema é sintaticamente simples, mas carrega grande intensidade emocional. O uso de paralelismos (as ações que começam com verbos no infinitivo) confere ritmo e coerência à obra, criando uma sensação de ação contínua e deliberada.

Esse estilo é característico da poesia moderna, que, em vez de contar uma história, explora o interior do indivíduo.


Análise Gramatical:

Gramaticalmente, o poema segue uma construção simples, mas muito eficaz:

· Uso de verbos no presente do indicativo ("rasgo", "apago", "pulo", "esfumo") – Isso confere ao poema um tom de ação contínua e imediata, como se o eu lírico estivesse a viver esse processo de libertação ou superação no momento da leitura.

· Uso de metáforas: "Rasgo velhos papéis", "marcas na areia", "arestas de mágoas escritas a sangue" – São exemplos de figuras de linguagem que fazem a leitura mais rica e oferecem uma interpretação além do literal, apontando para uma tentativa de apagar ou transformar experiências passadas dolorosas.

· Estrutura paralelística: A repetição da estrutura verbal no início de cada verso cria uma sensação de continuidade e reforça a ideia de ação repetitiva. Isso ajuda a dar ritmo ao poema e a tornar suas intenções mais claras.

· Ausência de pontuação: O fato de o poema não ter pontuação no final das frases pode ser visto como uma escolha estilística que contribui para o tom fluido e contínuo da reflexão interna. Isso também pode sugerir que o pensamento do eu lírico está a fluir sem interrupções, de maneira quase subconsciente.

· Uso de adjetivos e substantivos fortes: Expressões como "escritas a sangue" e "nuvens de sonhos" são exemplos de como o autor utiliza a língua de maneira impactante, criando imagens viscerais e potentes para intensificar a experiência do leitor.


Avaliação de Interesse do Público:

Em resumo, o poema de Pedro Ferreira, com sua linguagem rica e imagens poderosas, é uma obra que desperta o interesse de um público mais reflexivo e sensível às emoções e temas profundos, sendo particularmente atrativo para os fãs de poesia lírica e moderna.

Este poema é uma obra literária de grande valor, com uma escrita rica e uma forte carga emocional. Embora o estilo e as imagens poéticas possam ser desafiadores para alguns leitores, ele se destaca pela sua profundidade e expressividade.

8.5 (de 0 a 10)


Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

PALAVRAS INCAPAZES

Palavras incapazes…

de fazerem a leitura do brilho no olhar mediado pelo breve momento de um pestanejar que encerra o adormecer e abre o despertar;

de descreverem o sorriso que se esconde na madrugada quando os lábios se reencontram;

de decomporem por parágrafos o longo abraço de uma noite;

de decifrarem o aroma do fruto dos múltiplos sentires a dois;

de comporem um texto escrito pela ponta dos dedos de quatro mãos sobre a pele em branco;

de serem ouvidas para alem do pulsar dos corações;

de colocarem vírgulas enquanto se deleita no sabor a nós;

de encontrarem pontos quando não existe um princípio nem um fim.



Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

CANSAÇO D’ALMA

Cansei-me, por um momento só!

O corpo nem sempre reage quando a alma pede, quiçá acumulados indeléveis cansaços.

Não sei mais o que dizer, não sei mais o que fazer, o corpo não reage porque a alma é quem age.

Estou no limiar do firmar, sinto o poder de decidir sobre o todo, mesmo que seja uma só parte, mas estou cansado…, cansado de ser apenas parte!

Teremos voltado ao acaso, onde tudo nos espera e nada nos acontece… Vou esperar entre o tempo e o espaço, porque nada me resta senão ser, novamente, apenas uma parte.


Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

quinta-feira, 27 de julho de 2023

SEMPRE O AMANHÃ

Mesmo que não se verbalize, pede-se atenção para as coisas da alma.

Entre o acanhamento e o descaramento existe uma linha muito ténue que se ultrapassa frequentemente, passos largos em terreno incerto, pois nem o acanhamento tranquiliza, nem o descaramento apazigua.

As almas pesadas esperam durante o dia pelo leito onde à noite depositarão os seus corpos cansados de momentos acumulados, mas não vividos, num somatório estéril que na penumbra apaga a luz.

Chegadas a esta fronteira, entre o dia e a noite, as questões não se colocam, porque a resposta ainda dorme, e por teimosia não despertará ao alvorecer, enquanto por vós novo dia acontecerá, novos momentos vos esperarão, e ainda não se darão conta que é só mais uma vez a vida a oferecer-vos um novo caminho sem dúvidas ou incertezas.

Amanhã, sempre o amanhã! Que o amanhã não se canse!



Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

terça-feira, 16 de maio de 2023

QUANDO A ALMA SE MANIFESTA

Quando a alma se manifesta:

As questões tornam-se um despropósito;
As dúvidas dão lugar a inequívocas certezas;
A presença é dispensável;
O tempo um segundo apenas;

Não me questionem, portanto, porque não tenho dúvidas que o espaço é mero figurante e o tempo nosso servo.

Mostrar-vos-ei a outra parte da minha parte, aquela que parte.

Não sei qual a dimensão do amor, pois ele estará em toda a parte.

Fico-me com a parte que fica, nada mais espero da vida senão saber que estarei sempre amando em qualquer parte.


Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

MELODIA DOS SÁBIOS

Nem sempre acontece como desejamos:
por vezes, é a dor que se manifesta;
ou acontece a despedida de quem amamos;
como ainda, poderá ser a doença que nos molesta.

Porém, no abandono ninguém se revê;
nem na solidão que ecoa!
Não importa o quê, nem o porquê,
quando a injustiça tudo soa.

Depois, existe o sorriso!
Também pode acontecer,
enquanto a alma triste dá o aviso.
Louvor a quem assim aprendeu a ser!

Valorizar o gesto que ilumina o rosto,
humedecer os lábios,
sentir com gosto,
são a vitória dos sábios.



Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

O CICLO GRACIOSO DA VIDA

Ladeado por paredes pintadas de noite, observo a estrada que à minha frente serpenteia, não se revelando em toda a sua extensão, um desafio sem fim à vista que apenas me traz à memória o ciclo gracioso da vida, onde tantas vezes o passado é tão presente quanto a própria existência de cada um de nós.

Aprendi com as cores que me embeberam nestes dias que a vida pode ser um só momento, aquele que não deve ser desaproveitado.

Aprendi ainda com as cores que a bela alma tem um lar, com janelas que deixam a luz entrar. Espelhos de pessoas de bem.

Porém, algumas almas cinzentas me perseguem nesta estrada, de criaturas que decidiram pintar os seus dias da cor desta noite, com tanta agressividade que alguns salpicos de tinta me atingiram, mas trago na bagagem uma paleta multicolorida o bastante para que as flores continuem a ter cores e o sol continue a brilhar.

Haverá um enorme ponto de interrogação a cada metro percorrido e um enorme ponto de exclamação a cada minuto vívido.

Brindemos ao momento a todo o momento.


Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

terça-feira, 12 de abril de 2022

Grandeza Humana

É recomendável que, por breves momentos, na vida de quem traçou para si um caminho de benfeitorias, se pare e se contemple com agrado as vitórias do bem sobre o mal.

Para muitas pessoas poderá ser difícil de entender, quase impossível de se fazer, mas responder com o bem a quem nos tenta fazer mal, é uma fórmula mágica de sucesso.

Pode ser penoso, mas vale a pena.

Olhar para trás e constatar que nesse caminho jazem as pedras que nos foram arremessadas, pelo qual passamos imperturbáveis, é uma sensação de grandeza humana indescritível.




Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Intemporal

Sentimos que cada um dos dois é fiel depositário do outro: que o nosso abraço é do diâmetro da Terra; que está sempre tudo certo, nada reclamamos um do outro; que nos ouvimos como ninguém nos consegue ouvir; que somos o ponto de partida e o ponto de chegada para cada qual; que o colo é possível e até tem graça; que nunca cairemos, mesmo que as nossas mãos não se toquem; que nas vitórias houve um foco de luz sobre nós e nas derrotas nem as grades nos separaram; que com admiração nos entreolhamos, e no silêncio tanto dizemos; que nos incomodamos, mas que tudo superamos; que o nosso futuro é uma ambição por si só; que sentimos intensamente tudo aquilo que não vivemos; que já podemos dizer que construímos algo, um passado; que confiamos numa magia superior a nós; que o respeito nos deixa levar a parte de cada qual; que é de longe que o brilho do outro nos alcança; que contamos a mesma história; que aceitamos o preço da liberdade duramente conquistada; que motivados sempre estaremos, mesmo que o mar esteja encrespado; que muitas lágrimas já foram partilhadas; que o nosso sabor é o somatório de todo o nosso sentir; que os anos passaram e nada mudou; que nunca houve necessidade de falar em perdão e que bem tontos fomos; que são coisas sentidas com alma; que alinhamos caminhos celestes em que a primeira e a última estrela é qualquer um de nós dois; que já fomos para além da Lua, entramos num imaginário pelas nossas mãos desenhado.

Sentimos que tudo é simples e belo, e que assim nos temos completado, no único interesse de ver qual dos dois sorri mais largo, quando no céu nos erguemos.

Não fazemos contas, porque a felicidade são momentos de intensidade única multiplicados no coração de cada um de nós, que se divide na parte de cada parte.

Se aprendemos a amar desalmadamente, então já vivemos esse amor.

Se queremos?! Sim.

Se merecemos?! Sem sombra de dúvida.

Se vamos encontrar tamanho milagre?!

Só a Deus pertence esse segredo intemporal…



Pedro Ferreira © 2017 (Escrito na Alma)

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

AO LADO DE UM GRANDE ELE, ESTÁ SEMPRE UMA GRANDE ELA - CRÓNICA Nº 1

Vim aqui tentar rebater a ancestral ideia que ainda hoje em dia nos tenta convencer que “por detrás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”.

Foi-me dada essa oportunidade e agora estou com intenções de não parar até conseguir provar que essa ideia está errada, e que na verdade o que acontece ou deveria acontecer para que a vida de casal, familiar e social funcione em pleno, seria antes a ideia que é ao lado de um grande homem que deverá estar uma grande mulher.

A sociedade portuguesa encontra-se estendida entre dois pólos, um ainda muito tradicional e outro já demasiadamente vanguardista, que neste aspeto em particular, ora por um lado ainda coloca a mulher em posição de inferioridade ou submissão perante o homem, ora por outro lado a mulher tenta colocar-se adiante do homem.

Nem um cenário nem o outro me parecem corretos, pois quebram a cooperação e dispersam energias, quando é certo e sabido, que partes diferentes se complementam, e quando juntas formam o motor que tudo faz operacionalizar, tanto assim é, que se repararem bem, a criação do homem assenta nesse princípio da complementaridade entre macho e fêmea, sem conferir maior ou menor importância a uma das partes, qual relação tomada/ficha que permite a passagem da energia necessária ao funcionamento dos equipamentos elétricos, ou qual relação chave/fechadura que permite abrir portas. Qual dos dois lados tem mais importância que o outro?!

Permitam-me pois, neste espaço, tentar rebater essas ideias que ainda proliferam em abundância na nossa sociedade e que me parecem nefastas por promoverem a desigualdade de géneros.









http://www.revistaeleseelas.com/ 


Análise Literária e Interpretativa:

O texto de Pedro Ferreira, publicado na revista Eles & Elas, apresenta uma reflexão crítica e disruptiva sobre a tradicional noção de que "por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher". Com uma postura provocativa, o autor propõe um novo entendimento sobre as dinâmicas de gênero, no qual defende que a mulher deve estar ao lado de um grande homem, e não atrás dele, para que a relação funcione de maneira equilibrada e harmônica.

O autor, ao longo de seu discurso, adota um tom de contestação. O uso do verbo "rebater" no início do texto e a disposição de "não parar até conseguir provar" sua tese denotam uma postura quase combativa, característica de uma reflexão que visa questionar normas arraigadas e oferecer uma nova perspetiva. Ao empregar frases como "não me parece correto" e "quebram a cooperação", o texto revela uma crítica à visão tradicional sobre o papel feminino, ao mesmo tempo que aponta para o risco de ideologias que buscam inverter a ordem sem considerar a complementaridade e a parceria entre os gêneros.

A ideia de complementaridade é central na argumentação do autor. Ele sugere que tanto o homem quanto a mulher possuem papéis distintos, mas igualmente essenciais, para que a vida em casal, familiar e social funcione de maneira ideal. A analogia com o funcionamento dos equipamentos elétricos e a relação chave/fechadura é eficaz para ilustrar sua tese de que não existe um papel mais importante que o outro, mas sim uma colaboração mútua onde ambos se completam.

Ao enfatizar a necessidade de equilíbrio e cooperação, Ferreira se posiciona contra visões de gênero que, segundo ele, promovem a desigualdade. O autor sugere que as visões tradicionais e vanguardistas de gênero, em que um se sobrepõe ao outro, são danosas, pois afastam os indivíduos do conceito de paridade e complementaridade que ele considera necessário para a plena realização de qualquer relação.


Classificação Literária e Interesse Público:

O texto pode ser classificado como um ensaio de opinião que aborda questões de gênero e igualdade, com um foco crítico sobre as normas sociais e culturais ainda prevalentes na sociedade portuguesa. Ele se insere na tradição de textos de reflexão e crítica social, seguindo uma linha argumentativa que busca questionar preconceitos e crenças estabelecidas, propondo uma nova visão sobre os papéis masculinos e femininos.

O interesse público do texto é evidente, dado que aborda uma questão central na sociedade contemporânea: a busca pela igualdade de gênero e o papel da mulher nas relações pessoais e sociais. A sua relevância transcende a literatura e se insere no debate social e político, tocando diretamente nas construções culturais que moldam as perceções de poder e hierarquia entre os gêneros.

Além disso, o tema da complementaridade entre homem e mulher é uma perspetiva que ainda gera bastante controvérsia, especialmente quando se trata de discutir a ideia de igualdade de direitos e oportunidades entre os sexos. Assim, o texto não só instiga reflexão, mas também contribui para o debate sobre as dinâmicas de gênero e o empoderamento feminino em uma sociedade moderna.

O autor, ao convidar o leitor a reconsiderar os modelos tradicionais e a refletir sobre uma colaboração equitativa entre os gêneros, não apenas oferece uma crítica, mas também propõe um modelo mais justo e harmônico para as relações sociais. O caráter de interesse público se fortalece ainda mais ao desafiar visões convencionais e buscar promover uma reflexão sobre a necessidade de redefinir os papéis sociais de maneira mais equilibrada e justa.


Nota 8 (0 a10):

  • Clareza e Coerência: O autor apresenta uma argumentação clara, coesa e bem estruturada. A proposta de refletir sobre a complementaridade entre os gêneros é bem fundamentada e exemplificada.
  • Originalidade: Embora a ideia de repensar o papel da mulher na sociedade não seja inédita, a forma como o autor a expõe e questiona o conceito tradicional de “por detrás de um grande homem”, oferecendo uma perspetiva de igualdade e parceria, é interessante.
  • Impacto Social: O texto aborda um tema relevante e com forte apelo social, como as questões de igualdade de gênero, e provoca reflexão sobre os papéis e relações de poder na sociedade. 

No entanto, a nota 8 também leva em conta que o texto poderia ser mais aprofundado em termos de exemplos históricos ou mais amplas evidências culturais que sustentem a argumentação, além de uma exploração mais detalhada dos impactos das visões tradicionais e vanguardistas sobre os papéis de gênero.

Esses pontos não comprometem a qualidade do texto, mas ainda poderiam enriquecer a análise e a persuasão do autor, tornando-o ainda mais completo.


Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Boas Intenções


Entre o dizer e o fazer existe uma vala comum onde jazem as boas intenções.


Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Alma Vazia


Existem pessoas de alma tão vazia que quando lhes falo em valores humanos só consigo obter como resposta o meu próprio eco.



Pedro Ferreira © 2017
(Todos os Direitos Reservados, Registo de Obra n.º 2629/2017)